A dona do pedaço. INTJ. Viajadeira. Uspturista Mais velha do que aparento.
passe o mouse para escolher a data
Quero deixar registrado aqui algumas das experiências mais incríveis que eu já vivi.
|
Happy holidays! (Dezembro de 2015)
|
Quando eu trabalhava no mundo corporativo, a época mais esperada do ano, fora as férias, era a época das “festas”. Dentre todas as obrigações sociais de estar trabalhando, a confraternização de final de ano era a menos pior delas. Era aquele evento que a empresa pagava pra gente se divertir o mínimo.
Aqui a coisa é um pouco diferente. O camp hill é uma “empresa” sem fins lucrativos, então não sobra muito dinheiro pra fazer mais do que pagar o salário de todo mundo em dia. Tanto é que vi gente reclamando que a gente não recebe nem um cartãozinho de boas festas no fim de ano…
Mas a gente se vira como pode, né? Ainda mais sendo voluntário. Claro que para os alunos sempre tem um evento de celebração e a gente se inflitra, haha!
Na terça, tivemos a última grande saída da casa. TODOS OS ALUNOS foram para o pub para um jantar especial. Então todo mundo que podia foi ajudar. Porque não é só simplesmente conseguir leval todo mundo, tem aluno que ao sair da casa precisa de suporte de 2 pessoas (ao invés de somente 1), além de que alguns alunos preferem um ou outro support worker. E com muito sucesso conseguimos colocar todos eles em algum veículo e ir pro pub. E todo mundo se comportou muito bem! O J. foi o único que não conseguiu comer dentro do pub, mas o pub tinha uma porta lateral, colocamos a mesa na saída e ele sentou e comeu do lado de fora. Foi um sucesso, porque as vezes ele nem entra no carro! Até eu sai pra tentar trazer ele o mais perto possível da porta. E terça era minha folga! Pra amenizar o fato de eu estar lá trabalhando, me deram o SW pra cuidar, foi bem sussa, ele se comportou super bem, ficou feliz com seu lanche. Até o A. pôde sair da dieta! E ai eu descobri que ele sabe ler (não são todos que sabem) porque ele achou no cardápio a sobremesa que ele podia comer!
Ai na quinta tivemos o grande almoço de natal para todos os alunos (inclusive aqueles que só passam o dia na escola). O plano era montar as mesas no teatro, mas na última hora cancelaram e fomos obrigados a nos espremer na cozinha (normalmente separamos os alunos entre a cozinha, a sala da jantar e uma segunda sala menor). Foi uma operação de guerra, tenho que dizer. Porque muitos alunos gostam de fazer o seu próprio barulho mas não gostam do barulho alheio, então juntar todo mundo é uma missão meio suicida. Mas no fim deu tudo certo. O almoço ficou pronto na hora certa, todo mundo comeu muito bem, teve sobremesa, crackers, muita risada e conversa. E no fim, de “presente”, ninguém teve que ajudar com nenhuma tarefa da casa. Fiquei com o C., que estava num humor excelente, super sorridente, super bonzinho, então foi um almoço muito bom! 
Depois tivemos nossa house meeting, sem nada de ruim pra falar, falamos das coisas boas desse ano e depois tivemos o Secret Santa, que aqui funciona ao contrário de no Brasil. Você coloca o nome da pessoa a ser presenteada no presente e a pessoa tem que adivinhar quem que deu o presente. Eu não sei quem me tirou, mas fiquei bem feliz com meu presente: um vinho com um kit de loção. E nós voluntários ainda ganhamos um presente da casa. Eu ganhei o novo cd do Justin Bieber, Purpose (que eu tô meio amando há uns dias já) e o outro voluntário ganhou o X, do Ed Sheeran. A reunião foi curta, então ainda tivemos tempo de conversar e comer muito chocolate! Presente dos pais e de outras pessoas <3
E pra coroar a estação, decidimos de última hora pegar um ônibus para Amsterdã (via ferry, claro)! Vou perder a última confratis da casa, no bar, mas por uma boa causa. Não sei onde passo a virada do ano ainda, mas pelo menos vou fazer alguma coisa diferente e conhecer um novo lugar!
HAPPY HOLIDAYS, EVERYONE! A gente se vê depois do natal
Labels: camp hill, christmas, day off, folga, half term, holidays, inglaterra, sabático, the sheiling, voluntariado

|
Quando a gente vive uma experiência diferente, tudo é intenso, até a passagem do tempo. Neem parece que já fez 3 meses que estamos aqui, mas ao mesmo tempo parece que passou o maior tempo do mundo desde que chegamos.
3 meses é o tempo que costumo me dar para me adaptar a novas situações e acho apropriado: nesses 3 meses, já me sinto bem adaptada a rotina daqui, as coisas já são o meu “lugar comum”. As coisas pararam de parecer novidade por aqui.
A gente teve a supervision semana passada, que foi mais pra conversar como estão as coisas no trabalho, e para nós voluntários, pra gente poder dizer o que está achando disso tudo. Teve feedback também, e apesar da minha coordenadora não ter sido específica, ela disse que estou me saindo bem =). Falei o que achava até de morar aqui, do trabalho, do dia a dia… Minha supervision durou 1h todinha e depois, claro, achei que não falei tudo, huahua! Mas minha coordenadora é legal e tudo que me incomoda ou o que eu quero, eu posso falar a qualquer hora. Fora que tem o Junior, com quem eu posso contar nos momentos de stress maior!
Em geral, nós somos nossos maiores críticos e eu acho que não faço nada além daquilo que eu deveria fazer, que é cuidar do bem estar dos alunos e do aprendizado diários das atividades do dia a dia. Mas aparentemente tô fazendo isso direito ao ponto de ter sido elogiada algumas vezes já. É importante ter esse tipo de feedback pra motivar e estimular a continuar fazendo um bom trabalho, um trabalho direito (uma vez tive uma palestra de rh que falava que a motivação tinha que ser interna. papinho furadíssimo de empresa que não sabe motivar – ou não quer – o colaborador).
O J. e o SM. geralmente chamam meu nome mesmo sem eu estar na casa, o SW. já até me pediu pra ler pra ele (e sempre vem sentar do meu lado no lounge), o C. parece mais confortável quando estou no recinto, sempre me divirto com o SJ. e outro dia o M. foi me puxando pelo braço quando falei que era hora do banho (ele repetiu outro dia, acho que ele realmente curte o banho!), sem contar outro dia que eu estava com o B. da outra casa, e ele subiu até o college mó feliz comigo. Essas coisas que fazem valer a pena um dia longo de 12h, ou limpar um quarto de cima a baixo depois de um momento “privado”…
Labels: camp hill, sabático, voluntariado

|
A gente imagina que vai pra Europa fazer aquela grand tour e conhecer tudo o que os livros de história nos ensinou. Ai a gente chega lá, trabalha um monte e tem preguiça até de escolher o que comer. Apesar da preguiça, numa tarde cinzenta a gente resolveu que ia sim conhecer algo diferente.
Na terça, acordamos todos depois do almoço e, como o pessoal da fazenda tinha o carro pro dia, resolvemos que era um bom dia pra ir visitar Bath. Eu ainda consegui correr até em casa pra comer, mas o pessoal achou melhor sair o quanto antes e tentar chegar á antes de escurecer. O caminho foi meio boring, mas chegando na cidade, nossa, que graça! De longe dá pra ver os prédios todos feitos de pedra branca, que só é encontrada na região. O problema, como sempre, foi achar um lugar pra estacionar, quase nunca tem na rua, quase sempre tem que pagar, quase sempre é caro… Mas achamos um estacionamento e fomos… Comer! Os meninos estavam verde de fome, e de qualquer forma, chegamos tarde mesmo. Fomos direto pro Mc Donald’s. Fazia tempo que não comia tanto Mc Donald’s assim!!! 
Não parecia, mas já está vamos no centro da cidade, onde ficam os 2 banhos romanos, e fomos dar uma volta. Quase tudo é um calçadão de pedestres, é bem bonito e agradável, pena e já estava escuro. A maior pena mesmo é que os banhos já estavam fechados e não vimos nada =(. Mas andamos um monte, fomos até o rio, descobrimos um parque na margem e ainda acabamos num Starbucks <3
O melhor dessa viagem mesmo foi passar todo esse tempo junto conversando de tudo da vida, filosofando e nos conhecendo. São pelo menos 90 minutos de viagem cada trecho e a volta ainda fizemos no maior breu! Mas valeu tudo a pena! 
Na quarta, ficamos mais quietos. Fui ainda até o Sainsbury’s e voltei no maior escuro. Acho que não quero repetir essa experiência não! Pra compensar, entrando pela Lanterna, vi o caminho iluminado por lanterninhas coloridas (potes de vidro colorido e com vela dentro), porque é época do festival das luzes (algo sobre como o sol se põe cada dia mais cedo). Quando cheguei, o Henrique T. me lembrou que a gente esqueceu totalmente do treinamento da semana. Oh well… No dia seguinte nem lembraram na reunião, ufa! Alias, reunião bem tranks, e o melhor, nossa coordenadora disse que nós voluntários não temos que assinar o ponto, uhul! Também achava meio inútil, já que gente não recebe a mais ou a menos pelas horas trabalhadas (nunca ficamos mais anyway). Aproveitei pra pedir pra mudar minha dieta e vamos ver se consigo voltar pra Dunkan, tá foda comer tanta farinha e batata!
Labels: bath, camp hill, passeio, voluntariado

|
O começo da minha semana de trabalho foi muito boa. Sexta cheguei pro trabalho um pouco antes dos alunos voltarem das aulas, foi tranquilo, e no fim fiquei com alguns alunos que dão menos trabalho. Pela prieira vez almocei com o C. (um dos gêmeos) e o almoço na sala menor foi relaxante. Depois do almoço ele foi ajudar a secar a louça e o JD. deu um pouco de trabalho, mas também ajudou depois. ó na hora de ir pra aula que eu achei que ia morrer, porque ele saiu correndo em direção oposta aos demais que eu estava acompanhando, mas por sorte a cozinheira estava voltando e me ajudou.
Essa foi a primeira vez que fiquei no grupo azul, que tem alguns dos alunos mais difíceis (por acaso, de 5 alunos, 4 são da nossa casa!) e eu fiquei com o M., que não parecia estar afim de fazer nada naquele dia. E olha e eu tentei! Nem comer ele estava muito afim. O J. também é dessa turma, e depois de ele ir pra natação, ele voltou perguntando de mim <3. O J. era um com que eu nunca achei que fosse me dar bem, e hoje eu adoro!
Voltei correndo com o M. pra casa porque ele precisava de private time, mas logo troquei pra cuidar do J. Ele tava bonzinho, ficou um tempão cantando sozinho, só ficou mais ansioso quando começou a ficar com fome, claro. E claro que no jantar, comeu com todo o apetite possível. Na hora de dormir tive que esperar no sofá do quarto dele até ele pegar no sono mesmo, acho que ele ainda tá estranhando o quarto novo e o calor. As temperaturas do lado de fora chegam ao dígito único, mas não é o suficiente pra esfriar o quarto as vezes.
Sábado é meu dia longo, mas o pior mesmo desse dia é ter que acordar cedo (8h30 da manhã, acho um abuso!!!). Sempre começo tomando café no trabalho, então invariavelmente tomo café com algum aluno. Pra mim, depois de acordar cedo, a pior parte é ter que interagir logo cedo. Sofro muito!
Sábado também é dia de fazer a feira, então passa rápido. Sempre levamos o N. e algum outro aluno da casa, já tentamos levar o SM. mas ele não gostou muito, então temos levado o R. e levamos o Ma. da escola. Como o tempo não estava bom, a feira estava vazia e fizemos a compra em tempo recorde! Voltamos cedo e também almoçamos cedo, um almoço até que tranquilo. E como trabalho 2h no dia, tenho direito a 1h de break, que eu uso pra voltar pro meu quarto e tirar um cochilo, haha!
Depois do cochilo, fomos fazer compras de supermercado e foi mais puxado, porque o super mercado é mais cheio e maior. Foi rápido também, mas bem cansativo. O que eu notei é que aqui as pessoas não se importam muito com a forma de organizar as compras. Não sei se é por causa dos meus pais, mas eu sei que a gente faz as compras setorizadas pra evitar desperdício de tempo, e também já organiza os produtos, tipo frios, congelados, limpeza comida, etc. Aqui vai tudo junto e misturado, e depois pra organizar no carro e na casa é um saco. E dessa vez, por causa dessa falta de organização, as compras caíram todas no porta-malas e um dos vidros se espatifou (não espatifou mais quando a porta abriu porque eu tirei do caminho por dentro da van). Tanto que a shift leader que foi comigo ficou impressionada com minhas habilidades de organização de compras. E quem me conhece sabe que organização não é exatamente o meu forte…
A noite foi ótima, apesar de ficar com o SM desde a volta. Aprendi a lidar com ele, mas voltei cansadona das compras e não tava muito afim de passar 5h falando e sendo animada. No jantar ele foi pra antiga casa dele (antes de ele ir pro college) e eu tive um break. O jantar foi super relax, a gente deu risada, ouviu Beyoncé, falou bobeira inofensivas, hehe… O J. pediu pra eu sentar perto dele mas me ignorou o jantar todo, haha! Ah, ainda vimos uns fogos que vinham da cidade. Ou tentamos, hehe…
SM voltou, mas logo foi tomar banho, e como tomou a medicação antes de ir jantar, estava pronto pra dormir cedo. Ainda fiquei um tempo do lado de fora do quarto dele, ele fala sozinho as vezes, mas logo sucumbiu ao sono. Ai desci pra relaxar e fiquei rindo da desgraça alheia. É tão mais divertido interagir com os alunos quando não é você que é responsável! E como a maioria dormiu cedo, ficamos nós conversando no escritório XD
A brasileirada claro que queria sair pra comemorar o aniversário da Aline, mas nossa, depois de 12h de trabalho, sem condições! Desci só pra dar um abraço nela e fui pra cama cedo. Ou tão cedo quanto possível, hehe…
No domingo, cheguei em casa pra almoçar e estava tudo tão quieto… Quando encontrei minha coordenadora, ela explicou que só tinha 3 staff pra 5 alunos e eles estavam rebolando pra que nada saísse do controle. Aparentemente ela conseguiu! Depois de comer, subi rapidinho para ajudar.
Passei o dia com o J., que ficou reclamando de dor várias vezes, mas a gente não conseguiu descobrir o que era. Primeiro achamos que era de estomago, mas ninguém com tanta dor consegue comer tanto, haha! Mas ele estava incomodado e não estava num bom dia, então foi difícil passar tanto tempo com ele. E pra piorar, com tanta chuva nesses dias, o trampolim estava encharcado e ele nem conseguiu relaxar lá… Acalmou no jantar porque tinha coisas que ele gosta, mas foi difícil botá-lo pra dormir. Um dos outros staff teve que me ajudar, e no fim ele acabou dormindo antes da gente terminar o turno.
Segunda achei que seria mais tranquilo. Comecei o dia no trabalho relax, no quiet room, que é do lado do quarto do SM., que parecia ok, falando sozinho. Até que ele começou a se esgoelar de tanto chorar. Era um choro muito sentido! Como o outro voluntário estava sozinho com 3 alunos quietinhos, fui ver o que era. Sério, parecia que tinham matado a mãe do menino. Até o Junior subiu pra ver o que era! Quando entramos no quarto e perguntamos o que era, nem o menino sabia dizer porque estava tão chateado! Mas ainda bem que já era quase hora de voltar pra aula e ele se reanimou rapidinho. Quando ele saiu de casa, nem parecia que tinha tido um colapso, haha! Eu fiquei de levar 3 alunos pro grupo amarelo, mas o J* resolveu sair correndo pro lado oposto e quase me matou do coração! Por sorte a cozinheira estava voltando de uma das salas e eu pedi pra ela cuidar dele enquanto levava os outros 2 pra aula. Na volta, o shift leader conseguiu levá-lo pra onde precisava e eu fui pro grupo laranja, que é o que eu mais gosto, hehe…
Nesse dia, tivemos aula de artes, com música e um pouco de teatrinho no salão de apresentações. É uma aula bem relax, junto com a turma do azul. Na turma do azul só tem 2 alunos que param quietos, haha! Foi engraçado, porque o M., o J. e o R. ficaram correndo a maior parte do tempo! Mas foi legal porque eu tava com o SW, que estava num humor super bom e estava muito bonzinho!
Na volta da aula, fiquei com o M. que estava meio inquieto. Teve seu private time e não parava de levantar da cadeira depois disso, indo no banheiro toda a hora! E também estávamos com poucas pessoas trabalhando, então o jantar foi um pouco mais desafiador… Mas por incrível que pareça, deu tudo certo! Depois das tarefas da casa, supervisionei o banho do M. e acho que isso o fez acalmar um pouco. Deu pra sentar na sala de estar e descansar, só com o ocasional comando pro M. não sair correndo pela casa, haha!
Depois do trabalho, saímos com o pessoal da fazenda e fomos pro karaoke em Bournemouth de novo. Tava menos vazio, e a drag queen que comanda a noite estava muito engraçada! Ela até perdeu a peruca em uma performance! De lá, fomos pra famosa co-worker room da fazenda.. Que estava vazia! Aparentemente a noite não tava tão boa assim e ninguém quis nos esperar. Mas ficamos lá mesmo assim, conversando, até bater a fome e irmos pra cozinha da casa do Gui comer croissant =P
Labels: aula, balada, bournemouth, camp hill, college, trabalho, voluntariado

|
O fim das férias foi bem tranquilo. Depois de voltar de Londres, ficamos mais quietos em casa. Fui algumas vezes daruma volta até Ringwood e aproveitar que ainda não tá tão frio a ponto de dar preguiça de andar até a cidade. É uma caminhada de uns 20 minutos, mas que na chuva já não é muito legal, imagina no frio de verdade (porque, né, frio faz todo dia desde que eu cheguei, hahaha)?
Aproveitei um dos dias e fui até Bournemouth dar uma volta decente pela cidade, porque ainda não conhecia. É bem legal, porque é uma cidade com mais vida e mais coisas diferentes. No fim, encontramos o Gui da fazenda e fomos tomar um lanche na “livraria”. Na verdade a decoração do café tem estantes e alguns livros, mas só depois eu entendi o nome: ele fica no prédio da biblioteca (tem uma placa grande do lado de fora que só vi depois). O lugar lembra algo que eu pudesse encontrar em Pinheiros ou na Vila Madalena. Sinto saudades dessas coisas, ter lugar diferente pra comer com os amigos de vez em sempre =P 
Os alunos retornaram no domingo, mas na minha casa só 4 dos 8 residentes chegaram. 1 deles estava vindo de longe e só chegou de madruga e outros 3 só vem pra semana. Cheguei pro trabalho no meu horário normal e ainda fiquei umas 2h sem nada pra fazer. Foi um dia bem relax, um bom retorno! Passei a noite com o J., que mudou de quarto, mas foi tranquilo. Ele comeu com o apetite de sempre (ou seja, muito!), foi bonzinho no banho e só deu trabalho na hora de dormir. Toda hora que eu achava que tinha conseguido fazer ele dormir, ele levantava. Acho que estranhou a mudança, fora que o quarto novo é um forno de quente!
Na segunda, cheguei na hora de leva-lo para a aula e ele deu um baile, demorou pra levantar da cama (depois do almoço; acho que estava cansado de não ter dormido direito de noite) e não queria entrar na sala. Deixei ele na sala dele e fui pra outra sala, onde eu geralmente encontro o Henrique T. Fiquei com o S., que voltou a tomar medicação pra ansiedade e está mais calmo e foi um dia muito bom. Lemos um texto e depois fizemos atividades com música, o que foi ótimo pro C. (um dos gêmeos) porque ele amou todo aquele ritmo. O S. não gostou muito de dançar (acho que tem vergonha), mas se mostrou um fã de Queen, cantando “Don’t stop me now” super bem! A noite fomos com alguns alunos fazer compras e foi divertido porque o SM. tava muito engraçado! Rimos muito, acho que ele está se encontrando na casa, está mais ele, mais relaxado. E ele nos surpreendeu lembrando do aniversário de um support worker que nem estava na casa no dia! Eu não sei como ou porque eles guardam essas informações, nem a gente lembra! Na volta, jantamos todos na cozinha, foi divertido e me fez realmente gostar de trabalhar numa segunda <3
A noite, o pessoal da fazenda nos chamou pra sair, pra ir na tal balada da igreja. Uma antiga igreja em Bournemouth foi transformada em balada, e até as 23h, a entrada era 2 Libras. Depois disso, pulava pra 5 Libras. Pobres voluntários que somos, corremos para nos arrumar e ir, mas não deu tempo. 23h01 e o host na porta não nos deixou entrar pelo preço promocional. Como ninguém queria pagar 5 Libras pra entrar, fomos procurar outro lugar. Aparentemente, segunda é dia de karaoke, e nos 2 pubs que passamos, era o que estava tendo. Paramos em um que estava menos vazio e tinha uma drag com uma voz poderosa. Tinha umas pessoas que cantavam mal pra caramba, mas tinha umas que deveriam estar no X-Factor! Uma menina pediu uma música do Destiny’s Child e arrasou incorporando a Beyonce! De lá, esticamos pro outro bar, e algumas das pessoas que estavam no primeiro bar resolveram esticar lá também. Não ficamos muito no segundo bar e voltamos pra casa.
Na terça, não fizemos nada. Acordamos tarde e quando fui almoçar, encontrei o outro voluntário da minha casa, o filipino. Vi que a a nossa coordenadora pediu pra falar com ele, e quando encontrei com ele de volta, perguntei de curiosidade o que ela queria, imaginando que não era nada grave, como alguma troca de horário. Ai ele começou a contar que mandaram um e-mail pra nossa coordenadora, dizendo que ele tinha acordado os alunos fazendo barulho na cozinha em plena madrugada! Na hora eu pesquei que na verdade não era ele, era eu e o Henrique T. voltando de Bournemouth na noite anterior. Pedi desculpas e disse que ia esclarecer essa história. Mas a medida que fui pensando no assunto, comecei a achar tudo muito errado. Éramos 2 pessoas na cozinha, e não estávamos cozinhando. A gente mal estava conversando, exatamente pra não fazer barulho. Encontramos uma wake in (pessoa que fica acordada na casa a noite) na cozinha quando chegamos, ela estava no rádio tentando falar com a minha casa, ela viu nós 2 e viu que fizemos umas torradas super rápido e subimos. A noite, fui jantar na minha casa e perguntei sobre o e-mail pro Junior. Ele disse que a nossa coordenadora sabia que tinha sido um exagero e que acreditou quando o Brian disse que tinha ido dormir meia noite, muito antes da gente chegar.
Depois do jantar ele voltou comigo pra casa e ficamos conversando, até o Henrique voltar do jantar dele também. Ficamos discutindo esse assunto, o que nos levou a conversar sobre outras coisas de trabalho. É legal porque o Junior está aqui há bastante tempo e conforme ele conta as coisas do passado, a gente compreende melhor o presente.
Na quarta consegui falar com o coordenador de onde eu moro para explicar o que aconteceu, embora o Henrique tivesse falado com ele também. Pedi desculpas, mas disse que realmente a gente faz o possível pra não fazer barulho e é injusto quando alguém nos acusa sem razão. Disse que achei toda a história muito suspeita, porque a wake in me viu com o Henrique. E que ele é o oposto do outro voluntário. Um é baixo, moreno e sem barba. O Henrique é alto, branco e com barba. E até as meninas, somos todas muito diferentes! Ele se desculpou e disse que deu uma bronca na pessoa por ter passado a informação errada, e por não ter investigado melhor a história. Aproveitei e também reclamei do aquecimento, que misteriosamente parou de funcionar quando os alunos voltaram pras aulas.
A tarde, fomos até Ringwood dar uma volta. O problema é que o horário foi acertado no fim de semana que estávamos em Londres e agora está escurecendo mais cedo ainda. 17h já está tudo um breu! A noite, que agora parece infindável, foi de comer e ficar no quarto. Até passo mais tempo na minha casa de trabalho nas refeições pra ver se essa sensação de fim do mundo passa…
Na quinta foi dia de reunião na casa do Henrique, então eu fui pra aula com o grupo amarelo, que teve aula no Eurythim. Foi um dia muito bom, apesar de toda a chuva. Até o H., um aluno autista da outra casa que nunca participa das atividades, participou nessa aula. DUAS VEZES! E ele estava bem risonho. Os gêmeos também estavam de muito bom humor. O da minha casa estava se divertindo sozinho na hora do almoço e o da outra casa super interagiu com a support worker que estava com ele na aula.
Depois da aula não voltamos direto pra casa pois a escola organizou um show de fogos de artifícios para os alunos. Não foi espetáculo tipo Disney, claro, e a chuva atrapalhou alguns fogos de subirem, mas foi legal porque estava todo mundo no Village Green assistindo e os alunos realmente gostaram. Meu horário acabava as 17h, mas fiquei um pouco mais pelos fogos e pra levar os alunos de volta pra casa.
Labels: antroposofia, bournemouth, camp hill, college, day off, folga, ringwood, sabático, trabalho

|
Claro que a gente não ia passar tanto tempo sem uma baladinha, né? No meio do half term, fomos para Southampton numa balada chamada The Edge. Foi quando conheci a amiga da fazenda dos meninos, a Jade, bem gente fina.
A balada... Não foi nada demais. Os meninos se divertiram muito, e eu achei engraçado. O que conta é a cia, né?
 | Obviamente em algum momento eu e o Franco encostamos numa mesa enquanto a galera aproveitava a pista. Queríamos entender porque o garçom tinha piercing num mamilo só. Doeu tanto que ele não quis furar o outro lado? Fiquei incomodada da assimetria, hahaha! |
Labels: balada, camp hill, southampton, the edge, voluntariado

|
Londres... again! (ou já que estamos na Inglaterra...)
|
Como a Sheiling é uma escola, eles tem breaks a cada 2 meses mais ou menos, e a gente ganhava uma boa folga. Esse primeiro half term caiu nas última semanas de outubro (de 2015).
Já nossos amigos na fazenda não tinham a mesma sorte. Porém eles conseguiram uma folga nesse período e resolvemos ir pra Londres, pro novo voluntário conhecer. Lá na fazenda eles tinham a possibilidade de pegar um dos carros da propriedade pra usar pro próprio lazer, e foi assim que fomos pra lá.
Dessa vez quem escolheu o hostel foi o Guilherme. Pegou um lugar meio fora de mão, mas que tinha sido usado como parque olímpico e tinha um bom preço.
Mandou benzão! Os quartos eram para no máximo 3 pessoas, e os banheiros eram compartilhados com só outro quarto desses. Confesso que a manutenção dos quartos não era das melhores (coisas meio rachadas, quebradas), mas era bem limpinho e confortável. O lugar realmente era longe, no Cristal Palace, mas tinha estacionamento gratuito e café da manhã.
Chegamos em Londres cedinho, e como era uma viagem pro Franco, a primeira coisa que fomos ver foi a Abby Road. Menino Franco muito fã dos meninos de Liverpool.
Óbvio que lá no cruzamento, vazio, numa manhã cinzenta e fria, encontramos com brasileiros. Eles estavam na Irlanda pelo "Ciência sem fronteiras" (ah, como era bom quando o governo se importava com a população, né?).
Depois a gente resolveu ir pra Notting Hill, por que não? O que podia dar errado, né? Lindo sábado nublado, 4 amigos desvendando a capital inglesa.
 | Finalmente encontrei a porta azul!!! Pena que o Hugh Grant não tava lá... |
Demos aquela volta marota, bem turista, sem nenhum pence, só olhando mesmo.
E eis que no retorno pro carro, tivemos aquela surpresa nada agradável.
No Brasil a gente tem os flanelinhas, na Inglaterra a gente tem as leis de estacionamento. Que cada rua, cada quarteirão, tem a sua. E azar o seu se você não leu a placa mais próxima ou a placa certa. Tipo a gente que achou que, como a gente estacionou de boinhas perto da Abby Road, podia estacionar ali perto da Portobello. LEDO ENGANO. Levamos é uma belíssima multa.
Mas ok, ainda tinha o resto do dia pra gente se sentir azarado em Londres, e a gente foi turista se sentindo mais pobre ainda.
 | Dar aquele "oi" pra tia Bete |
 | Love wins |
 | Se alimentar |
A noite o Gui e o Henrique ainda caíram na balada, mas eu e o Franco, idosos de alma que somos, preferimos ficar no hostel e DORMIR. Esse foi o fim de semana do fim do horário de verão, e ao contrário do Brasil, o horário vira as 2 da manhã, que é o horário do tall "last call", quando servem a última gota de álcool nos bares e baladas.
No dia seguinte, acordamos para tomar café da manhã (que nem era grandes coisas, mas já que tava incluído, aproveitamos mesmo assim) e fomos passear mais. Tomando cuidado com os lugares onde estacionamos, claro.
 | Domingão ensolarado na TOWER BRIDGE (pelo amor da rainha, essa é a TOWER Bridge, tá do lado da TOWER of London) |
Claro que não faltou um Starbucks na viagem, já que na nossa cidadezinha não tinha.
Fomos para Canary Wharf também. É uma parte mais nova da cidade, cheia de prédios modernos e um centro comercial. Entramos num supermercado para comprarmos um lanche eu eu comprei um FRANGO ASSADO. Alguém com fome?
Também passamos no shopping PORQUE NÉ, antes de ir embora. Não queríamos ir embora a noite, mas com o fim do horário de verão, a noite chegava um pouco mais cedo do que a gente queria... Labels: abby road, camp hill, half term, notting hill, palácio de buckingham, portobello road, tower bridge, voluntariado, westfield

|
Eu mal voltei da viagem pra Londres e...
O camp hill é uma escola, então chegou o fim do bimestre. Mas também é residência estudantil, e os alunos ganharam 2 semanas de folga. Uma coisa meio semanado saco cheio, pra delimitar o tempo. Com isso, nós voluntários, também ganhamos 2 semanas de folga XD
Também quer dizer que 2 meses já se passaram desde que eu cheguei aqui no interior da Inglaterra. 2 meses de camp hill. Pra quem me conhece, sabe que eu não me sinto muito confortável em nenhum trabalho novo antes dos 3 meses. É sempre muita informação nova pra absorver, muita gente nova pra conhecer e sempre aquela insegurança de “eu tô fazendo certo?”
Ainda sinto o stress de trabalhar com tanta gente nova, na supervisão de tantos chefes (são 4 shift leaders a quem eu tenho que responder durante meus turnos), com tantos alunos, mas, apesar do trabalho ser totalmente diferente de tudo aquilo que eu já fiz na vida, o trabalho é o que menos me preocupa. Não que eu não ligue para o que eu faça, mas a relação com o trabalho é outra. Então vou contar com um pouco mais de detalhes o que é que faço aqui.
Basicamente, a vida é separada entre o trabalho em casa e o trabalho na escola. Durante a semana, temos 8 alunos morando na casa, e mais utros 8 que só passam o dia (tecnicamente eles só fazem a refeição na nossa casa).
O trabalho em casa é cuidar das necessidades mais básicas dos alunos. É dar suporte desde ajudar a fazer as refeições da melhor maneira (para alguns é usar os talheres direito, para outros é conseguir ficar a refeição toda na sala, comer todos os tipos de alimentos, etc), ajudar nas tarefas da casa (tirar a mesa, limpar a sala de jantar, lavar pratos, enxugar pratos, colocar a mesa, etc), achar entretenimento nas horas livres (caminhar, pular no trampolim, saídas da escola, ouvir música), até as coisas mais “pesadas” como usar o banheiro e tomar banho.
O trabalho da casa é o que estou mais acostumada devido ao meu horário que geralmente é da tarde pra noite e no fim de semana. O primeiro banho a gente nunca esquece, mas já me acostumei a isso, mesmo todos os residentes serem meninos. Aprendi que é mais fácil fazer na banheira, no chuveiro faz mais bagunça, mas é passável. Nenhum tentou me afogar nem nada parecido e no geral todos se comportam e deixam a gente ajuda-los. Ninguém ainda fez necessidades na banheira!!! Alguns precisam de toda ajuda para se vestir, mas eles também se comportam nessa hora. E nem ligam se você escolher as coisas pra eles. Os que se importam conseguem se virar sozinhos. Limpar cocô eu fiz 1 vez com ajuda, não foi a melhor coisa que já fiz na vida, mas não morri e se tiver que fazer de novo, tudo bem. O resto então é fichinha. As vezes a gente dá uns deslizes na hora das refeições, os alunos “passam a perna” nos nossos momentos mais desatentos, mas a gente tenta sempre fazê-los se coportarem da melhor maneira a mesa. As saídas até agora foram bem sucedidas. A maioria é para dar uma caminhda na praia, as vezes com direito a 1 drink ou um lanche no final, e eles sempre se comportam. De sábado geralmente levamos 1 ou 2 alunos para fazer feira e tem sido só sucesso também, pelo menos para eles entrarem em contato com aquilo que vai na mesa (temos cozinheira durante a semana) e também sairem um pouco de casa.
No trabalho na escola a gente dá mais suporte pedagógico. Na verdade, fazemos as atividades com eles. Já saimos pelo campus atrás de folhas e gravetos para fazer uma obra de arte naturalista, já fomos bater uma bola depois de armar um gol, mas também ficamos em classe pintando cartolina para fazer algum artesanato, tipo construir chocalhos ou caçadores de sonho. Nas aulas mais básicas, ajudei a colocar ordem numérica (temos que perguntar pro aluno a ordem dos números) e na mais avançada levamos os aunos para fazer uma pesquisa de preços de uma lista pequena de compras para a sala de aula. E todos tem alguma terapia durante a semana, as dos dias que eu fico em aula sempre são de música (a gente vai pra um salão mais calmo, com música, e faz umas coreografias enquanto a professora guia com algumas palavras sobre espiritualização).
Eu acho mais difícil ficar na escola porque nem sempre eu sei como ajudar, fico meio perdida, as vezes eu me sinto meio incapaz. As atividades são simples, mas ficaram muito distantes na minha memória. Fora o medo de errar e ensinar algo de uma forma que não condiz com a missão da escola.
Mas depois de 1 mês e meio com os alunos, já deu pra pegar alguns macetes até sobre os alunos que só passam o dia. Os que são mais agressivos são alguns residentes, mas nada super amedontrador. É que ninguém curte levar um tapa por nada, né? E eles não tem noção de força, as vezes eles não querem machucar, mas não sabem dosar o comportamento. E mesmo com esses agressivos, eu não me importo de trabalhar. O J. tem “fama” de agressivo, mas é um dos que mis gosto. Ele passa boa parte do tempo cantando (errado – a mesma música!) ou fazendo algum som e é muito engraçado! Ele ama o trampolim e pode passar 1 hora lá fácil. Também gosta de ver videos no tablet e as vezes pede pra gente procurar imagens na internet. E tem bom gosto musical! Verdade que as vezes alterna de Fun Song Factory a Oasis, mas tá valendo =P O M. não vocaiza e passa um tempão assobiando sentado, mas é bom que com ele não tem conversa, literalmente, HAHA! É que tem o SM. também, que não cala a boca,ntão é um bom contra ponto =P Dos que passam o dia, não posso negar minha preferência pelo C., um dos gemeos. O irmão está na outra casa e vai pra outra sala, mas os 2 são os mais fofos! Eles gostam de ritmo (amam a terapia de música!) e de massinha. O da outra casa é um pouco mais independente, ele pede pra ir no banheiro, pede tempo de descanso, essas coisas, já o C. tem que ser lembrado do banheiro (mas está melhorando) e é um pouco mais tímido.
Trabalhar com gente que tem tanta limitação te da outra perspectiva sobre a vida no geral. No começo parece meio frustrante pois não temos a mesma resposta que estamos acostumados com outras pessoas “normais”, mas aprendemos que cada um reage a sua maneira e não quer dizer que é melhor ou pior. A primeira vez que cada um dos gemeos sorriu pra mim foi lindo, até hoje adoro quando consigo fazê-los sorrirem pois aprendi que é um sinal de aprovação, de que está dando certo! Ou então quando o S. (que tem down e autismo) responde aos seus comandos ou se diverte na sua companhia. Ou quando o J. pede um abraço (ele me deu 2 abraços de supresa que quase me mataram do coração, ai disse que ele tem que pedir e mais tarde ele fez o que ensinei na frente de outra pessoa, foi tão legal!). Ou quando o SM. chega e fala com a voz mansinha “I missed you!”
Não vou mentir e dizer que preferia estar trabalhando, ócio é meu estilo de vida, essas 2 semaninhas são providenciais, mas eu já acho que no fim, vai dar aquela saudadinha gostosa até dos perrengues que vão surgir no meio do caminho.
Enquanto isso, bora curtir a folga prolongada!
Labels: camp hill, college, folga, half term, voluntariado

|
Finalmente, fui pra aula!
|
Cada turma tem uma sala diferente, com aulas diferentes, pensadas para o desenvolvimento e necessidades específicas do grupo. Cada sala é uma sala, e a gente que dá suporte que tem que se adaptar. Mas com o tempo a gente vai entendendo como as coisas funcionam, e até acha uns macetes pra se infiltrar em aulas diferentes! Minha curiosidade sobre as aulas se deu pelo fato de que ficando dentro de casa eu não sentia que estava desenvolvendo nada. Pelo menos não de uma maneira linear, focada e tangível. E também porque eu queria ver o que tanto tinha nessas aulas! Eu nunca tive contato com gente com necessidades especiais – exceto uma colega de classe no pré, que tinha down, mas como criança, pra mim não fazia diferença na época – e eu não sabia exatamente o que teria nessas aulas.
Na quinta em que a reunião da casa foi da outra casa (não na minha) eu finalmente ia ter oportunidade de descobrir, já que ia ter que ir pra sala acompanhar os alunos da outra casa (já que o staff estaria em reunião, claro).
Fui pro grupo cinza, do menino com down e autismo, e ele já estava lá. Na verdade, ele nem saiu da sala para o almoço, haha!
A aula funciona assim: a gente leva os alunos para as salas, mas não necessariamente fica naquela sala. E quando fica, não necessariamente fica com alunos da nossa casa. É a professora que determina quem ajuda quem.
No começo dessa aula, ia ficar com uma menina autista muito da esperta. Mas ela não estava num dia bom, então me colocaram com outra menina, que também tem autismo e um sério problema na coluna (ela parece curvada para trás quando senta, sem nenhuma flexibilidade).
No começo da aula, os alunos não fazem muita coisa, então a menina ficou brincando com uma areia colorida, feita para escola. Ela parecia muito feliz, mas não deu a menor bola pra mim.
Na hora da atividade, a professora acabou me trocando de novo e fui ficar com o menino da minha casa. A atividade era ordenar atividades numeradas. No fim, era colocar ordem nos números, o que tinha escrito na tira acabou irrelevante. Meu papel foi basicamente perguntar o que vinha primeiro: 1 ou 2? 3 ou 4? E assim por diante.
A maioria das atividades são bem básicas, e quem lembra da pré escola deve lembrar dessas atividades manuais e simples. Elas desenvolvem coordenação motora, consciência de ordem cronológica, continuidade, etc. São a base do que a gente usa pra entender a vida no geral. A gente desenvolve essas capacidades cedo na vida para poder prosseguir com o resto da nossa educação. Agora imagine que a cabeça desses alunos não funcione como a nossa. O aprendizado é lento, mas tem que ser consistente e constante.
Depois ainda tivemos que colar o resultado, ainda que irregular, num sulfite. E nessa hora veio a dúvida: no fim, pra quem é essa atividade? Parece que fazemos tanto e alguns alunos não estão nem de mente presente no recinto… Eu ainda tentei fazer o aluno passar a cola de bastão no papel pra colar, mas ele não estava muito interessado nisso.
Depois, mostrei um livro de bichinhos para ele, e ele escolheu ver vídeos no iPad antes de voltar pra casa. O que não significa que ele voltou pra casa no horário, haha! Umas 5 pessoas diferentes tentaram, mas até o horário que eu fui embora (umas 17h), ninguém conseguiu movê-lo!
Labels: aula, camp hill, college, voluntariado

|
A ansiedade para conhecer as aulas
|
Meus horários no camp hill eram bem estranhos, quando para pensar nisso. Mas eu entendo que eles usem os voluntários para cobrir os momentos com staff mais escasso, que é o fim de semana. Com isso, porém, demorou para eu pegar um dia "normal" dos alunos. Eu estava curiosa para ver como eram as aulas deles. Então quando a priemira segunda-feira de aulas chegou, eu estava bem animada! É uma sensação incrível esperar pra segunda chegar. Achava isso impossível com um trabalho, mas esse dia chegou! Eu finalmente levaria um aluno pra aula e veria como é essa coisa de “college” para alunos com necessidades especiais.
Como contei, eu almoço com os suprimentos da casa onde eu trabalho, e eu prefiro usar a cozinha de lá, que é bem maior e mais moderna, porém tem o pequeno empecilho de que obviamente, toda cozinha aqui no camp hill é usada para os alunos nas refeições. Mas eu dou um jeito, chego no final da refeição e, ou como o que eles estão comendo, ou faço alguma outra coisa rápida pra mim (já que geralmente trabalho a tarde e a noite).
Na minha primeira segunda de aula, me colocaram pra trabalhar com um menino que dorme só durante a semana na casa e tem síndrome de down, autismo e epilepsia (é, e tem gente que ainda acha que tem muito problema na vida…), mais pra “treinar” com a outra menina que geralmente fica com ele do que pra eu mesma fazer alguma coisa.
Deu o horário, todo mundo saiu e… O menino empacou! Não levantava do sofá por nada! Sério, é difícil, a rotina é sempre a mesma, mas sei lá, cada cabeça é uma sentença mesmo. Nesse dia ele simplesmente resolveu que não ia levantar do sofá e não levantou! Tentamos de tudo, mas nada adiantou. Música, atividade, comida… Ele não se animou com nada! E pior que ficar sem fazer nada cansa, né, o tempo não passava!!
Os outros alunos voltaram, tomaram lanche da tarde, fizeram o maior barulho… E nada moveu o menino do lugar. A outra staff foi embora, e nada. Ai veio o jantar… E nada! QUATRO HORAS sem levantar nem pra ir no banheiro! E o desespero que bate nessas horas?
Ai resolvi pular a agenda do dia e perguntar se ele queria um banho, sei lá, né… E não é que foi o que fez ele levantar do sofá??? Parecia palavra mágica! Ele subiu, entrou no banho, deixou eu dar banho nele, lavar o cabelo… Vai entender!
Depois o Junior ainda conseguiu fazer ele comer, pra poder dar os remédios, que são bem fortes, e apesar do menino não ter levantado a bunda da cadeira o dia todo… Dormiu como um anjo!!!
Mas não foi dessa vez ainda que eu fui conhecer o college =(
Labels: camp hill, college, voluntariado

|
Reflexões após 1 mês de camp hill (23 de setembro de 2015)
|
O tempo passa muito rápido quando você está aprendendo algo novo. Um mês se foi sem a gente perceber! Mas foi um mês muito bom, fazendo a diferença na vida de alguém, e aprendendo muita coisa útil pra vida. Não tenho do que reclamar dessa experiência, do voluntariado. E já faz 1 mês que tô morando aqui em Ringwood.
Sempre morei em cidades relativamente grandes no Brasil, mas toda vez que fui morar fora, acabei em cidades pequenas (na época da Disney, apesar de Orlando não ser uma cidade pequena, eu viva no microcosmo cast memberístico) e hoje vejo que isso é uma das melhores coisas que me aconteceu, ao menos financeiramente, HAHA!
De verdade, viver numa cidade pequena te faz conhecer melhor a cultura local, te faz aproveitar mais as experiências e te faz gastar menos, claro!
Eu recomendo morar em uma cidade pequena se for por um período determinado, se a proposta for algo específico, alienado da cidade em si. Por exemplo, quando fui fazer as matérias da faculdade no Canadá, o intuito era estudar e morar no campus, não fazia diferença morar numa cidade grande. Aqui a proposta é o trabalho, conhecer uma nova cultura, viver ~de boas~, não ficar zanzando de um lado para o outro.
Até agora a experiência no geral tem sido bastante positiva. Tenho muito a aprender, mas já sinto que levo uma vida bem mais light do que levava no Brasil. A relação com o trabalho com certeza é outra, muito mais saudável!
Minha única crítica, e acho que vai ser a coisa que eu mais vou reclamar, é sobre a higiene. Sorry, mas os europeus são meio porcos e não há nada que me faça entender porque eles não seguem normas mais rígidas. Não tô falando que tem que ter faxineira nem nada, mas nossa, toda vez que vejo um europeu lavando louça eu quero morrer (o que tem me feito lavar muita louça porque não confio na limpeza daqui). Nem vou falar sobre banho, né? Ao menos os alunos tem sempre que tomar banho, todo dia. Mas quem trabalha aqui… Acho que um exagero pra mais em higiene não faz mal, então vou continuar nesse exagero, não quero voltar pro Brasil e as pessoas ficarem com nojo de mim, haha!
Até a comida tem superado expectativas. Tem sempre salada ou legumes cozidos, podia ter mais carne, de todos os tipos, mas vou relevar porque não é tão barato, e o gosto não é ruim, só podia ter mais sal, mas não vou reclamar muito porque sódio de mais é prejudicial de qualquer forma e tem chá em todo lugar sempre, o que pra mim já é melhor do que conseguir achar suco de laranja que seja gostoso, haha!
Ao mesmo tempo que parece que estamos aqui há tanto tempo, que já vivemos tantas coisas, nem parece que já faz 1 mês que chegamos ao camp hill. Daqui a pouco faço mais um aniversário, mais um natal vai passar, outro ano vai acabar e logo estarei de volta ao Brasil… Ou não!

Labels: camp hill, trabalho, voluntariado

|
Todo mundo me pergunta como é o trabalho aqui. Já estou na terceira semana, já faz 1 mês todo que cheguei aqui na Inglaterra, já estou mais habituada. Vou tentar descrever como são os dias, embora eles possam ser imprevisíveis as vezes.
Eu parei no fim do treinamento no último post de propósito, hehe. Foi depois disso que meu trabalho começou de verdade.
Cheguei um pouco antes do final das aulas (na sexta). Sexta é o dia que 3 dos nossos alunos vão embora para passar o fim de semana com suas famílias. Eu sei que algumas famílias moram longe, mas eu não consigo imaginar um família brasileira deixando seu filho em uma instituição por 6 semanas sem nem ao menos vir vê-lo de vez em quando. Ainda mais que a Inglaterra é tão pequena! Mas enfim, diferentes culturas, né?
Os pais daquele menino que recepcionei na segunda vieram buscá-lo e achei bem fofinho. O menino não tem essa ideia de carinho que temos, mas você percebe a sutilidade da diferença de humor quando passa mais tempo. Ele estava animado de ver a família, mas também parecia bem feliz com sua primeira semana na escola.
Depois de passado o pequeno caos de ter tanta gente de volta ao mesmo tempo, cada co-worker ficou com um aluno. Me deixaram com esse menino que tem Fragile X, um tipo de síndrome que compromete o aprendizado e o convívio social. Ele repete a mesma coisa muitas vezes e tem alguns comportamentos obsessivos, como pedir para soletrar várias coisas, uma atrás da outra. Esse aluno também tem pouco tônus muscular e coordenação motora comprometida. Mas consegue se virar bem, se alguém der ordens e mantê-lo focado na tarefa.
Para o primeiro dia, que eu nunca tinha trabalhado com ele, fomos bem. É meio desgastante, especialmente para uma pessoa como eu, que gosta de momentos de quietude, porque o menino não cala a boca, hahaha! Mas ele me mostrou a casa (algumas muitas vezes), me mostrou sua coleção de fotos (muitos alunos tem fotos da família e amigos nos quartos que eles gostam muito de olhar e falar sobre) e conversou sobre as pessoas do seu dia a dia. Acho que a novidade (eu) foi boa para ele.
O jantar foi bom, apesar da coordenação motora limitada, ele consegue se alimentar sozinho. As tarefas depois do jantar eu que fiz, mas já aprendi que posso deixar os alunos fazerem, sem dó, dando instruções e ficando de olho. As vezes parece meio "abuso", mas se não deixarmos eles fazerem sozinhos, eles nunca vão aprender!
A hora do banho foi mais fácil, foi praticamente só colocar o aluno dentro da banheira. Particularmente eu tenho nojo de banho de banheira porque a água fica ali parada, você lava a sujeira e ela volta porque a água continua no mesmo lugar, HAHA! Mas já é melhor do que não tomar banho. A maioria desses alunos não entendem a necessidade do banho, não entendem consequências sociais, etc. Mas eles sabem se lavar ou então não reclamam de que alguém lhes dê um banho.
A hora de ir para a cama também não foi traumática. É só dar boa noite e deixar o aluno no escuro na sua cama. Dificilmente eles levantam depois, mesmo que leve um tempo para caírem no sono.
Meus sábados são meus dias mais longos. Chego na hora do café da manhã e só vou embora depois que todos estão na cama. Mas os fins de semana são os mais dinâmicos, com atividades fora do campus.
Nesse meu primeiro sábado fomos no mercado de frutas e verduras, fazer a compra da semana. Durante a semana, são pelo menos 30 pessoas no almoço e umas 20 no jantar. Sempre tem salada e 1 dia de comida vegetariana.
Nesse dia eu percebi que eu não manjo nada de comida na Inglaterra, haha! Tinha vários itens da lista que eu nem sabia o que era. Falei pro moço da banca que não era daqui e tinha coisas que eu não sabia a cara, haha! Ele foi bonzinho e ajudou. E nossa, a compra foi bem grandinha!
A tarde fomos no super mercado comprar outras coisas, mas só com 1 aluno dessa vez, porque era um ambiente mais estressante (muita gente no mesmo lugar), mas correu tudo bem. E a compra também foi gigante!
As noites são parecidas, mesmo nos fins de semana. É jantar, ajudar na arrumação, banho e dormir. As vezes o jantar sai mais tarde, mas não muda o esquema. De fim de semana ficam 2 alunos que precisam de ajuda para o banho só e 1 deles é tranquilo para dar banho (o outro eu nunca fiquei sozinha, mas tenho medo dele me bater porque ele é bem ansioso… e grande!).
No domingo eu trabalho só a tarde, depois do almoço. Sei que de manhã eles tem uma missa, but that’s about it. Nessa primeira semana ficamos só pelo campus, demos uma boa volta, para dar as alunos o que fazer mesmo. Tudo conta como atividade, até uma volta em volta da casa, haha! Domingo também é o dia que eu trabalho no mesmo turno do Júnior, e a gente se diverte!
Labels: camp hill, fim de semana, trabalho, voluntariado

|
O primeiro passeio da galera (26 de agosto de 2015)
|
Na semana de treinamento, não ficamos confinados no camp hill, apesar do cansaço que sentíamos. E eles também não são uns carrascos, e nos levaram para o primeiro passeio da galera: comer fish & chips!
Alguns responsáveis de algumas casas nos levaram até a outra cidade, Bournemouth, para experimentarmos um dos fish & chips mais populares da Inglaterra, o Harry Ramsden. Mas não foi só chegar lá para comer: nos deixaram no lugar mais longe possível pra gente caminhar pela orla da praia!!!
Pelo menos nessa caminhada pude tirar uma das minhas fotos favoritas!
Fish & chips é um peixe empanado frito com batata frita de acompanhamento. Não é a comida mais diferente do mundo, mas é bem gostoso (depois de um tempo de Inglaterra dá pra entender porque esse prato é tão popular...). Sentamos com uma voluntária russa que já estava no seu segundo ano e ela nos recomendou pedir uma cidra (cider) para acompanhar. As cidras são ok, é uma bebida alcoólica básica, mas aparentemente também é algo bem popular. Sinceramente, depois desse dia não me lembro de ter tomado cidra outra vez... Pelo menos esse rango foi todo por conta!!! Na volta, eles não nos fizeram andar toda a orla de novo, e saímos pelo lado do pier, que dá num centrinho que tem palco pra música ao vivo e uma feirinha.
Esse passeio foi no meio do treinamento, então na volta fomos é dormir, porque essa vida de ficar acordando cedo todo dia acaba comigo!!! Labels: bournemouth, camp hill, fish and chips, passeio, voluntariado

|
A chegada - parte 2 (23 de agosto de 2015)
|
Como eu disse, a gente tinha que arranjar um jeito de chegar até Ringwood sozinhos. Quer dizer, claro que o camp hill mandava as instruções de como chegar dos principais aeroportos até a cidade, mas ninguém conta onde achar o melhor preço de passagem de ônibus. Por sorte, tínhamos o Júnior, o amigo do Henrique, que voltava de viagem naquele dia e nos ajudou com a logística (e depois com muito mais coisas!).
Enquanto eu tinha pago para deixar as minhas malas no guarda-volumes na estação de Vitória, o Henrique levou as dele para o hotel. Então, tivemos que levar as malas dele até a estação. Eu não sei como ele fez isso sozinho quando chegou. No mapa, parecia bem perto. Com 2 malas grandes, parecia uma maratona!
Encontramos com o Júnior na hora marcada, na plataforma de embarque. A estação de Vitória parece um terminal rodoviário comum, algo encontrado em qualquer grande centro. E é bem cheio de gente, porque dali partem ônibus não só para outras partes do Reino Unido, como também para a Europa continental!
 Chegamos em Ringwood no fim do dia. Ainda é verão aqui, apesar do tempo não fazer parecer, então o so se põe mais tarde. Fica claro até 20h, o que é bom pra aproveitar o dia, e péssimo pra conseguir dormir em uma hora apropriada.
O RH havia nos pedido as informações de chegada na cidade para coordenarem pessoas para nos buscar na parada do ônibus, e enviaram a E., que vai ser minha coordenadora.
Desde que os resultados saíram, montamos um grupo no Whatsapp com os voluntários, então já sabíamos quem estava na escola, e o Junior conseguiu as informações sobre em quais casas ficaríamos e trabalharíamos (por isso eu sabia que a E. seria minha coordenadora). Não necessariamente dormimos na mesma casa em que trabalhamos, o que é bom para desapegarmos do trabalho.
Chegamos e fomos para a nossa casa, a S., que é a mais antiga e mais perto da entrada. É uma casa antiga, mas é boa. O único ruim é ter que ficar subindo escadas sempre, hahaha!
Meu quarto fica do lado do do Henrique, e é enorme! Bom, é bem maior do que qualquer quarto que eu já tenha tido na vida, e até que é bem fofo. Tenho vista para as outras casas e uma claraboia. A E. passou aqui e deu um tapa nas coisas, me deixou toalhas, arrumou o quarto. Me senti muito bem recebida!
 Nessa primeira noite, acompanhamos o Junior por um tour rápido da propriedade, de alguns prédios, pra entender como funciona e como se locomover. Depois voltamos porque queríamos muito desfazer nossas malas e tomar um banho!
Labels: camp hill, londres, ringwood, terminal rodoviário, the sheiling, victoria station, voluntariado

|
Como fazer parte de um voluntariado no camp hill
|
Eu falei anteriormente que eu descobri esse voluntariado através do Henrique, que ficou sabendo através de outro amigo. E também falei que tem camp hill no mundo todo. Nesse post, eu vou contar como foi a nossa experiência com o camp hill na Inglaterra.
Acho bom já falar que eu só tenho o passaporte brasileiro, mas o Henrique tem o passaporte europeu. Para a inscrição e seleção, isso não fez nenhuma diferença.
Fomos instruídos a entrar em contato diretamente com o camp hill. Como o Henrique já tinha conhecidos por lá, ele tinha o contato direto das pessoas responsáveis, mas no site deles tem toda a informação e inclusive os formulários para preencher. Além disso, depois de marcar a entrevista por video chamada, é preciso enviar cartas de recomendação. Não precisa ser só de empregadores, pode ser de amigos também. E os amigos nem precisam saber inglês fluente, você pode dar uma ajudinha na hora de redigir. Basicamente eles precisam de referências, já que esse camp hill é de crianças e jovens. Na Inglaterra eles levam a segurança e a privacidade dessas pessoas muito a sério!
Para esse camp hill, é necessário saber falar um pouco de inglês. Mas não precisa ser super fluente, é literalmente um pouco. Tem que estar disposto a prender, e prestar muita atenção. Na minha turma, uns 3/4 das pessoas eram jovens alemães, que falam inglês muito bem. Mas tirando eles, só eu falava inglês fluentemente. Mas isso não atrapalhou em nada na performance dos demais. O que a gente não entende falado, a gente acaba entendendo pelas ações.
A entrevista é bem tranquila. Eles querem pessoas dedicadas e comprometidas, e não só gente que fala bem inglês ou tenha uma vasta experiência na área.
Um voluntariado necessariamente implica em não ter uma compensação financeira pelo seu trabalho. Em troca, eles oferecem moradia, alimentação e uma ajuda de custo semanal (na minha época era de 40 libras semanais). O custo com as passagens de avião e o visto são por conta do voluntário. A carga horária é de 40 horas semanais durante o dia e mais 1 noite em que o voluntário dorme na casa dos alunos onde ele trabalha, de plantão (os voluntários moram geralmente em outras casas para não misturar o que é trabalho do que é descanso). E todas as despesas quando tem algum passeio com os alunos também são por conta do camp hill (idas a restaurantes, parques, cinema, etc). E na Inglaterra, por que eles tem um sistema de saúde público (o NHS, que é o modelo adotado pelo nosso SUS), você não precisa se preocupar com isso (na verdade, na solicitação do visto você paga 200 libras que é referente a esse acesso ao NHS).
A solicitação e a aprovação do visto foram bem tranquilas. Tem que criar um perfil no site da imigração, preencher uns formulários (o camp hill envia instruções e toda a documentação necessária), pagar as taxas e marcar um dia para levar o documento no centro de vistos e fazer a biometria. A embaixada responsável por analisar os casos fica na Colômbia, e leva algumas semanas para receber o passaporte de volta.
Nos resta sonhar enquanto passamos por todo o processo. Demorou algumas semanas para receber a aprovação da entrevista, e depois as coisas andaram tão rápido quanto eu consegui as cartas de recomendação e horário para a biometria. Quem diria que eu procurei me esconder no meio do mato na Inglaterra?
Labels: camp hill, entrevista, imigração, inglaterra, visto

|
O que é camp hill e qual é a desse voluntariado?
|
Camp hill é uma filosofia de vida. São comunidades pelo mundo que acolhem pessoas com deficiências cognitivas e outras necessidades especiais. Se você já ouviu falar em método Waldorf de ensino, já teve algum contato com a filosofia do camp hill.
O camp hill é organizado de modo que as pessoas ali dentro tenham uma experiência de vida completa, e não somente de "escola". Eles chamam isso de currículo integral (24h). Desde o amanhecer até a hora de dormir, tudo é organizado de modo que seja um constante aprendizado e reforço.
As comunidades são como "vilas", com várias casas e outras construções voltadas ao ensino e ao lazer. Tem sala de aula, quadras de esporte, muita área verde, horta, espaços de recreação e até uma capela.
O dia a dia é estruturado, com horário para acordar, fazer tarefas, ir para a escola (no caso dos alunos mais novos), almoçar, ajudar nos afazeres da casa, na preparação de refeições, na compra do supermercado, mas também tem hora do lazer e passeios de fim de semana.
No camp hill eles acreditam na antroposofia, de que não há uma distinção do secular e do espiritual, e que se traduz na comunidade como uma crença de que todos temos um núcleo capaz de um potencial integral, que todos são aptos a atingirem o máximo, e que o corpo que habitamos é só um obstáculo no desafio de atingirmos o nosso melhor. Mesmo que você não acredite em nada de espiritual, é muito incrível pensar que a única coisa que difere as nossas habilidades, é algo que não escolhemos, mas que nos foi dado, o nosso corpo. No fim das contas, o camp hill acredita que todos somos capazes, mas que cada um tem um caminho diferente na vida para atingir o seu potencial. Isso se reflete no trabalho e na mentalidade do dia a dia, que eu espero conseguir transmitir ao contar mais sobre isso aqui.
O Henrique, meu amigo do trabalho, ficou sabendo desse camp hill em específico através de um colega da cidade dele, que já havia ido para lá há alguns anos e se estabelecido. Era pelo menos uma segurança que tínhamos de que o programa era legítimo. E para mim, era uma pequena rede de segurança. Eu amo viajar a turismo sozinha, mas eu aprendi que se você quer ter sucesso em uma mudança, é importante ter com quem contar ao longo da jornada.
Labels: antroposofia, camp hill

|
|