la petite princesse

A dona do pedaço. INTJ. Viajadeira. Uspturista Mais velha do que aparento.

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Quero deixar registrado aqui algumas das experiências mais incríveis que eu já vivi.

Happy holidays! (Dezembro de 2015)

Monday, November 15, 2021 at 10:30:00 AM

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Quando eu trabalhava no mundo corporativo, a época mais esperada do ano, fora as férias, era a época das “festas”. Dentre todas as obrigações sociais de estar trabalhando, a confraternização de final de ano era a menos pior delas. Era aquele evento que a empresa pagava pra gente se divertir o mínimo.

Aqui a coisa é um pouco diferente. O camp hill é uma “empresa” sem fins lucrativos, então não sobra muito dinheiro pra fazer mais do que pagar o salário de todo mundo em dia. Tanto é que vi gente reclamando que a gente não recebe nem um cartãozinho de boas festas no fim de ano…

Mas a gente se vira como pode, né? Ainda mais sendo voluntário. Claro que para os alunos sempre tem um evento de celebração e a gente se inflitra, haha!

Na terça, tivemos a última grande saída da casa. TODOS OS ALUNOS foram para o pub para um jantar especial. Então todo mundo que podia foi ajudar. Porque não é só simplesmente conseguir leval todo mundo, tem aluno que ao sair da casa precisa de suporte de 2 pessoas (ao invés de somente 1), além de que alguns alunos preferem um ou outro support worker. E com muito sucesso conseguimos colocar todos eles em algum veículo e ir pro pub. E todo mundo se comportou muito bem! O J. foi o único que não conseguiu comer dentro do pub, mas o pub tinha uma porta lateral, colocamos a mesa na saída e ele sentou e comeu do lado de fora. Foi um sucesso, porque as vezes ele nem entra no carro! Até eu sai pra tentar trazer ele o mais perto possível da porta. E terça era minha folga! Pra amenizar o fato de eu estar lá trabalhando, me deram o SW pra cuidar, foi bem sussa, ele se comportou super bem, ficou feliz com seu lanche. Até o A. pôde sair da dieta! E ai eu descobri que ele sabe ler (não são todos que sabem) porque ele achou no cardápio a sobremesa que ele podia comer!

Ai na quinta tivemos o grande almoço de natal para todos os alunos (inclusive aqueles que só passam o dia na escola). O plano era montar as mesas no teatro, mas na última hora cancelaram e fomos obrigados a nos espremer na cozinha (normalmente separamos os alunos entre a cozinha, a sala da jantar e uma segunda sala menor). Foi uma operação de guerra, tenho que dizer. Porque muitos alunos gostam de fazer o seu próprio barulho mas não gostam do barulho alheio, então juntar todo mundo é uma missão meio suicida. Mas no fim deu tudo certo. O almoço ficou pronto na hora certa, todo mundo comeu muito bem, teve sobremesa, crackers, muita risada e conversa. E no fim, de “presente”, ninguém teve que ajudar com nenhuma tarefa da casa. Fiquei com o C., que estava num humor excelente, super sorridente, super bonzinho, então foi um almoço muito bom!


Depois tivemos nossa house meeting, sem nada de ruim pra falar, falamos das coisas boas desse ano e depois tivemos o Secret Santa, que aqui funciona ao contrário de no Brasil. Você coloca o nome da pessoa a ser presenteada no presente e a pessoa tem que adivinhar quem que deu o presente. Eu não sei quem me tirou, mas fiquei bem feliz com meu presente: um vinho com um kit de loção. E nós voluntários ainda ganhamos um presente da casa. Eu ganhei o novo cd do Justin Bieber, Purpose (que eu tô meio amando há uns dias já) e o outro voluntário ganhou o X, do Ed Sheeran. A reunião foi curta, então ainda tivemos tempo de conversar e comer muito chocolate! Presente dos pais e de outras pessoas <3

E pra coroar a estação, decidimos de última hora pegar um ônibus para Amsterdã (via ferry, claro)! Vou perder a última confratis da casa, no bar, mas por uma boa causa. Não sei onde passo a virada do ano ainda, mas pelo menos vou fazer alguma coisa diferente e conhecer um novo lugar!

HAPPY HOLIDAYS, EVERYONE! A gente se vê depois do natal 

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that would be me. bye!

Novembro chegando

Monday, September 27, 2021 at 10:30:00 AM

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O fim das férias foi bem tranquilo. Depois de voltar de Londres, ficamos mais quietos em casa. Fui algumas vezes daruma volta até Ringwood e aproveitar que ainda não tá tão frio a ponto de dar preguiça de andar até a cidade. É uma caminhada de uns 20 minutos, mas que na chuva já não é muito legal, imagina no frio de verdade (porque, né, frio faz todo dia desde que eu cheguei, hahaha)?

Aproveitei um dos dias e fui até Bournemouth dar uma volta decente pela cidade, porque ainda não conhecia. É bem legal, porque é uma cidade com mais vida e mais coisas diferentes. No fim, encontramos o Gui da fazenda e fomos tomar um lanche na “livraria”. Na verdade a decoração do café tem estantes e alguns livros, mas só depois eu entendi o nome: ele fica no prédio da biblioteca (tem uma placa grande do lado de fora que só vi depois). O lugar lembra algo que eu pudesse encontrar em Pinheiros ou na Vila Madalena. Sinto saudades dessas coisas, ter lugar diferente pra comer com os amigos de vez em sempre =P


Os alunos retornaram no domingo, mas na minha casa só 4 dos 8 residentes chegaram. 1 deles estava vindo de longe e só chegou de madruga e outros 3 só vem pra semana. Cheguei pro trabalho no meu horário normal e ainda fiquei umas 2h sem nada pra fazer. Foi um dia bem relax, um bom retorno! Passei a noite com o J., que mudou de quarto, mas foi tranquilo. Ele comeu com o apetite de sempre (ou seja, muito!), foi bonzinho no banho e só deu trabalho na hora de dormir. Toda hora que eu achava que tinha conseguido fazer ele dormir, ele levantava. Acho que estranhou a mudança, fora que o quarto novo é um forno de quente!

Na segunda, cheguei na hora de leva-lo para a aula e ele deu um baile, demorou pra levantar da cama (depois do almoço; acho que estava cansado de não ter dormido direito de noite) e não queria entrar na sala. Deixei ele na sala dele e fui pra outra sala, onde eu geralmente encontro o Henrique T. Fiquei com o S., que voltou a tomar medicação pra ansiedade e está mais calmo e foi um dia muito bom. Lemos um texto e depois fizemos atividades com música, o que foi ótimo pro C. (um dos gêmeos) porque ele amou todo aquele ritmo. O S. não gostou muito de dançar (acho que tem vergonha), mas se mostrou um fã de Queen, cantando “Don’t stop me now” super bem! A noite fomos com alguns alunos fazer compras e foi divertido porque o SM. tava muito engraçado! Rimos muito, acho que ele está se encontrando na casa, está mais ele, mais relaxado. E ele nos surpreendeu lembrando do aniversário de um support worker que nem estava na casa no dia! Eu não sei como ou porque eles guardam essas informações, nem a gente lembra! Na volta, jantamos todos na cozinha, foi divertido e me fez realmente gostar de trabalhar numa segunda <3

A noite, o pessoal da fazenda nos chamou pra sair, pra ir na tal balada da igreja. Uma antiga igreja em Bournemouth foi transformada em balada, e até as 23h, a entrada era 2 Libras. Depois disso, pulava pra 5 Libras. Pobres voluntários que somos, corremos para nos arrumar e ir, mas não deu tempo. 23h01 e o host na porta não nos deixou entrar pelo preço promocional. Como ninguém queria pagar 5 Libras pra entrar, fomos procurar outro lugar. Aparentemente, segunda é dia de karaoke, e nos 2 pubs que passamos, era o que estava tendo. Paramos em um que estava menos vazio e tinha uma drag com uma voz poderosa. Tinha umas pessoas que cantavam mal pra caramba, mas tinha umas que deveriam estar no X-Factor! Uma menina pediu uma música do Destiny’s Child e arrasou incorporando a Beyonce! De lá, esticamos pro outro bar, e algumas das pessoas que estavam no primeiro bar resolveram esticar lá também. Não ficamos muito no segundo bar e voltamos pra casa.

Na terça, não fizemos nada. Acordamos tarde e quando fui almoçar, encontrei o outro voluntário da minha casa, o filipino. Vi que a a nossa coordenadora pediu pra falar com ele, e quando encontrei com ele de volta, perguntei de curiosidade o que ela queria, imaginando que não era nada grave, como alguma troca de horário. Ai ele começou a contar que mandaram um e-mail pra nossa coordenadora, dizendo que ele tinha acordado os alunos fazendo barulho na cozinha em plena madrugada! Na hora eu pesquei que na verdade não era ele, era eu e o Henrique T. voltando de Bournemouth na noite anterior. Pedi desculpas e disse que ia esclarecer essa história. Mas a medida que fui pensando no assunto, comecei a achar tudo muito errado. Éramos 2 pessoas na cozinha, e não estávamos cozinhando. A gente mal estava conversando, exatamente pra não fazer barulho. Encontramos uma wake in (pessoa que fica acordada na casa a noite) na cozinha quando chegamos, ela estava no rádio tentando falar com a minha casa, ela viu nós 2 e viu que fizemos umas torradas super rápido e subimos. A noite, fui jantar na minha casa e perguntei sobre o e-mail pro Junior. Ele disse que a nossa coordenadora sabia que tinha sido um exagero e que acreditou quando o Brian disse que tinha ido dormir meia noite, muito antes da gente chegar.

Depois do jantar ele voltou comigo pra casa e ficamos conversando, até o Henrique voltar do jantar dele também. Ficamos discutindo esse assunto, o que nos levou a conversar sobre outras coisas de trabalho. É legal porque o Junior está aqui há bastante tempo e conforme ele conta as coisas do passado, a gente compreende melhor o presente.

Na quarta consegui falar com o coordenador de onde eu moro para explicar o que aconteceu, embora o Henrique tivesse falado com ele também. Pedi desculpas, mas disse que realmente a gente faz o possível pra não fazer barulho e é injusto quando alguém nos acusa sem razão. Disse que achei toda a história muito suspeita, porque a wake in me viu com o Henrique. E que ele é o oposto do outro voluntário. Um é baixo, moreno e sem barba. O Henrique é alto, branco e com barba. E até as meninas, somos todas muito diferentes! Ele se desculpou e disse que deu uma bronca na pessoa por ter passado a informação errada, e por não ter investigado melhor a história. Aproveitei e também reclamei do aquecimento, que misteriosamente parou de funcionar quando os alunos voltaram pras aulas.

A tarde, fomos até Ringwood dar uma volta. O problema é que o horário foi acertado no fim de semana que estávamos em Londres e agora está escurecendo mais cedo ainda. 17h  já está tudo um breu! A noite, que agora parece infindável, foi de comer e ficar no quarto. Até passo mais tempo na minha casa de trabalho nas refeições pra ver se essa sensação de fim do mundo passa…

Na quinta foi dia de reunião na casa do Henrique, então eu fui pra aula com o grupo amarelo, que teve aula no Eurythim. Foi um dia muito bom, apesar de toda a chuva. Até o H., um aluno autista da outra casa que nunca participa das atividades, participou nessa aula. DUAS VEZES! E ele estava bem risonho. Os gêmeos também estavam de muito bom humor. O da minha casa estava se divertindo sozinho na hora do almoço e o da outra casa super interagiu com a support worker que estava com ele na aula.

Depois da aula não voltamos direto pra casa pois a escola organizou um show de fogos de artifícios para os alunos. Não foi espetáculo tipo Disney, claro, e a chuva atrapalhou alguns fogos de subirem, mas foi legal porque estava todo mundo no Village Green assistindo e os alunos realmente gostaram. Meu horário acabava as 17h, mas fiquei um pouco mais pelos fogos e pra levar os alunos de volta pra casa.

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that would be me. bye!

O tal do half term

Monday, September 6, 2021 at 10:30:00 AM

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 Eu mal voltei da viagem pra Londres e...


O camp hill é uma escola, então chegou o fim do bimestre. Mas também é residência estudantil, e os alunos ganharam 2 semanas de folga. Uma coisa meio semanado saco cheio, pra delimitar o tempo. Com isso, nós voluntários, também ganhamos 2 semanas de folga XD


Também quer dizer que 2 meses já se passaram desde que eu cheguei aqui no interior da Inglaterra. 2 meses de camp hill. Pra quem me conhece, sabe que eu não me sinto muito confortável em nenhum trabalho novo antes dos 3 meses. É sempre muita informação nova pra absorver, muita gente nova pra conhecer e sempre aquela insegurança de “eu tô fazendo certo?”


Ainda sinto o stress de trabalhar com tanta gente nova, na supervisão de tantos chefes (são 4 shift leaders a quem eu tenho que responder durante meus turnos), com tantos alunos, mas, apesar do trabalho ser totalmente diferente de tudo aquilo que eu já fiz na vida, o trabalho é o que menos me preocupa. Não que eu não ligue para o que eu faça, mas a relação com o trabalho é outra. Então vou contar com um pouco mais de detalhes o que é que faço aqui.


Basicamente, a vida é separada entre o trabalho em casa e o trabalho na escola. Durante a semana, temos 8 alunos morando na casa, e mais utros 8 que só passam o dia (tecnicamente eles só fazem a refeição na nossa casa).


O trabalho em casa é cuidar das necessidades mais básicas dos alunos. É dar suporte desde ajudar a fazer as refeições da melhor maneira (para alguns é usar os talheres direito, para outros é conseguir ficar a refeição toda na sala, comer todos os tipos de alimentos, etc), ajudar nas tarefas da casa (tirar a mesa, limpar a sala de jantar, lavar pratos, enxugar pratos, colocar a mesa, etc), achar entretenimento nas horas livres (caminhar, pular no trampolim, saídas da escola, ouvir música), até as coisas mais “pesadas” como usar o banheiro e tomar banho.


O trabalho da casa é o que estou mais acostumada devido ao meu horário que geralmente é da tarde pra noite e no fim de semana. O primeiro banho a gente nunca esquece, mas já me acostumei a isso, mesmo todos os residentes serem meninos. Aprendi que é mais fácil fazer na banheira, no chuveiro faz mais bagunça, mas é passável. Nenhum tentou me afogar nem nada parecido e no geral todos se comportam e deixam a gente ajuda-los. Ninguém ainda fez necessidades na banheira!!! Alguns precisam de toda ajuda para se vestir, mas eles também se comportam nessa hora. E nem ligam se você escolher as coisas pra eles. Os que se importam conseguem se virar sozinhos. Limpar cocô eu fiz 1 vez com ajuda, não foi a melhor coisa que já fiz na vida, mas não morri e se tiver que fazer de novo, tudo bem. O resto então é fichinha. As vezes a gente dá uns deslizes na hora das refeições, os alunos “passam a perna” nos nossos momentos mais desatentos, mas a gente tenta sempre fazê-los se coportarem da melhor maneira a mesa. As saídas até agora foram bem sucedidas. A maioria é para dar uma caminhda na praia, as vezes com direito a 1 drink ou um lanche no final, e eles sempre se comportam. De sábado geralmente levamos 1 ou 2 alunos para fazer feira e tem sido só sucesso também, pelo menos para eles entrarem em contato com aquilo que vai na mesa (temos cozinheira durante a semana) e também sairem um pouco de casa.


No trabalho na escola a gente dá mais suporte pedagógico. Na verdade, fazemos as atividades com eles. Já saimos pelo campus atrás de folhas e gravetos para fazer uma obra de arte naturalista, já fomos bater uma bola depois de armar um gol, mas também ficamos em classe pintando cartolina para fazer algum artesanato, tipo construir chocalhos ou caçadores de sonho. Nas aulas mais básicas, ajudei a colocar ordem numérica (temos que perguntar pro aluno a ordem dos números) e na mais avançada levamos os aunos para fazer uma pesquisa de preços de uma lista pequena de compras para a sala de aula. E todos tem alguma terapia durante a semana, as dos dias que eu fico em aula sempre são de música (a gente vai pra um salão mais calmo, com música, e faz umas coreografias enquanto a professora guia com algumas palavras sobre espiritualização).


Eu acho mais difícil ficar na escola porque nem sempre eu sei como ajudar, fico meio perdida, as vezes eu me sinto meio incapaz. As atividades são simples, mas ficaram muito distantes na minha memória. Fora o medo de errar e ensinar algo de uma forma que não condiz com a missão da escola.


Mas depois de 1 mês e meio com os alunos, já deu pra pegar alguns macetes até sobre os alunos que só passam o dia. Os que são mais agressivos são alguns residentes, mas nada super amedontrador. É que ninguém curte levar um tapa por nada, né? E eles não tem noção de força, as vezes eles não querem machucar, mas não sabem dosar o comportamento. E mesmo com esses agressivos, eu não me importo de trabalhar. O J. tem “fama” de agressivo, mas é um dos que mis gosto. Ele passa boa parte do tempo cantando (errado – a mesma música!) ou fazendo algum som e é muito engraçado! Ele ama o trampolim e pode passar 1 hora lá fácil. Também gosta de ver videos no tablet e as vezes pede pra gente procurar imagens na internet. E tem bom gosto musical! Verdade que as vezes alterna de Fun Song Factory a Oasis, mas tá valendo =P O M. não vocaiza e passa um tempão assobiando sentado, mas é bom que com ele não tem conversa, literalmente, HAHA! É que tem o SM. também, que não cala a boca,ntão é um bom contra ponto =P Dos que passam o dia, não posso negar minha preferência pelo C., um dos gemeos. O irmão está na outra casa e vai pra outra sala, mas os 2 são os mais fofos! Eles gostam de ritmo (amam a terapia de música!) e de massinha. O da outra casa é um pouco mais independente, ele pede pra ir no banheiro, pede tempo de descanso, essas coisas, já o C. tem que ser lembrado do banheiro (mas está melhorando) e é um pouco mais tímido.


Trabalhar com gente que tem tanta limitação te da outra perspectiva sobre a vida no geral. No começo parece meio frustrante pois não temos a mesma resposta que estamos acostumados com outras pessoas “normais”, mas aprendemos que cada um reage a sua maneira e não quer dizer que é melhor ou pior. A primeira vez que cada um dos gemeos sorriu pra mim foi lindo, até hoje adoro quando consigo fazê-los sorrirem pois aprendi que é um sinal de aprovação, de que está dando certo! Ou então quando o S. (que tem down e autismo) responde aos seus comandos ou se diverte na sua companhia. Ou quando o J. pede um abraço (ele me deu 2 abraços de supresa que quase me mataram do coração, ai disse que ele tem que pedir e mais tarde ele fez o que ensinei na frente de outra pessoa, foi tão legal!). Ou quando o SM. chega e fala com a voz mansinha “I missed you!”


Não vou mentir e dizer que preferia estar trabalhando, ócio é meu estilo de vida, essas 2 semaninhas são providenciais, mas eu já acho que no fim, vai dar aquela saudadinha gostosa até dos perrengues que vão surgir no meio do caminho.


Enquanto isso, bora curtir a folga prolongada!

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that would be me. bye!

A primeira semana do voluntariado - pondo a mão na massa!

Monday, June 28, 2021 at 10:30:00 AM

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Esse é o relato daquele momento. O começo de qualquer trabalho é sempre intenso, mas desde o início eu percebi que esse voluntariado seria muito recompensador.
Trabalho é trabalho, se fosse legal teria outro nome, já diriam tantas outras pessoas… Mas se a gente tá na chuva, é pra se molhar, né? Apesar da canseira dos treinamentos, a gente estava bem ansioso pra ver como seria o trabalho por aqui.

Na segunda, a maioria só começou a trabalhar a tarde, porque de manhã não tinha ninguém no campus. Foi feriado nacional e os alunos que moram aqui só chegaram a tarde.

Fui pra minha casa comer e encontrei um dos voluntários já lá, e o Junior. É bom ter outro brasileiro na casa, qualquer um que já foi morar fora sabe como é, a gente se entende. Ele nos passou um pouco do perfil de cada aluno. Claro que a gente não memorizou metade, mas já dava pra sentir como seria. A teoria as vezes parece bem assustadora.

Tô começando a achar que essa coisa de pontualidade britânica é uma balela. As famílias só começaram a chegar quase 2h depois do horário de check in. Mas tudo bem, esse foi só o dia de chegar na casa, não tinha nenhuma atividade.

Ver os alunos e os pais chegando começou a tornar toda essa jornada mais real. Agora é tangível. A maioria dos pais queria falar com a coordenadora, então fiquei por perto pra ouvir o que eles contavam sobre os filhos. Alguns já moravam na casa antes, outros vieram de outras casas, outros de outras escolas. No total são uns 9 alunos dormindo na casa durante a semana e 5 ficam pro final de semana também.

A coordenadora me pediu pra acompanhar a família do A., que tem Prader Willis, a se acomodar. Fizemos o check list das roupas e eles contaram um pouco da rotina do garoto. Parece ser bem tranquilo, apesar de demorar para entender as coisas e gostar muito de comida. Do tipo que não sabe a hora de parar. Os pais foram bem simpáticos e animados, gostei deles =).

Aparentemente A. não tem problemas de se despedir dos pais, pois não pareceu apresentar nenhum comportamento difícil a noite. Ele é bonzinho e geralmente obedece o que se pede dele. Do tipo que tentei dar uma volta com ele pelo campus, mas não fomos muito longe, haha!

Com a maioria deles temos que lembra-los de tomar líquidos e ir no banheiro, mas o A. ao menos é bem independente nessa hora. Não foi difícil perceber que ele queria ir no banheiro, talvez ele pudesse ter ido sozinho até algum deles na casa se ele soubesse onde eles ficam ;).

A hora da refeição é um momento particular. Eles fazem uma oração (sem religião) e um agradecimento e ai uma pessoa de cada mesa serve os demais. É meio estranho, mas por enquanto ainda não tive nenhum problema.

Como eu tinha lido no perfil do A., temos que tomar cuidado com sua alimentação. Não só por causa da compulsão, mas porque ele já colocou um suporte de titânio na coluna e não pode ficar gordinho. Por sorte, a refeição do dia era salada com frango, então dei bastante salada pra ele, hehe... Eu não reclamei porque salada com proteína animal também é a minha dieta.

Depois foi banho, escovar os dentes e dormir. No banho tive que pedir ajuda, porque no perfil dizia que A. fazia tudo sozinho, mas a realidade não foi bem essa. Ele já estava cansado e estava demorando muito para fazer os passos e o Junior veio me ajudar mostrando como que dava banho nesses casos. Ainda é meio estranho, mas é como dar banho numa criança. Grande.

Depois do banho, os alunos tem que levar suas roupas e sua toalha para a lavanderia, voltar para escovar os dentes e alguns vão direto dormir, outros podem usar computador, ouvir música, etc. A. foi direto pra cama. Essa parte foi muito fácil, porque ele geralmente obedece o que é pedido, então ele deitou, se cobriu e ficou quietinho. Ah, se toda criança fosse boazinha assim!

Depois disso, no fim do dia, temos que registrar todas as atividades dos alunos num caderno, para acompanhamento. Como se comportaram, se comeram bem, se fizeram as atividades, se pareciam satisfeitos com seu dia, etc. Nesse primeiro dia, foi bem fácil.

Ainda assim, primeiros dias são bem cansativos, e eu dei graças a deus de ter folga no dia seguinte!

Como residente temporária (ou sei lá que nome eles dão aqui), tenho que me registrar na polícia, para eles saberem do meu paradeiro. Então uma das deputies me levou para Bournemouth para essa burocracia. O registro tem um custo, mas o camp hill que paga.

Fomos eu e a russa que está pelo segundo ano consecutivo aqui e foi bem rápido. Mas o registro não fica pronto na hora, então marcamos de voltar no dia seguinte. Depois disso, ainda precisava fazer o registro na policlínica de Ringwood, então pedi para a deputy me deixar lá (até porque eu não sabia onde que era). A russa aproveitou para ficar em Ringwood também, já que também era o dia de folga dela.

O registro na clinica também foi rápido, acho que é tipo um banco de dados para agilizar o atendimento, se um dia eu precisar. Eu paguei mas 200 Libras para poder usar o sistema de saúde inglês durante esse ano que estarei aqui, mas esse é o tipo de coisa que a gente paga rezando pra nunca precisar usar.

O Henrique e outros voluntários resolveram ir fazer o registro também, então resolvemos esperar eles. Enquanto isso, fomos numa casa de milk shakes ali perto e a russa me deu um milk shake de presente <3

Sentamos num banco, o dia estava ensolarado mas geladinho, e ficamos conversando, esperando o pessoal chegar. Já disse que tô amando o tempo na Inglaterra? <3

Um tempinho depois a cambada apareceu do outro lado da rua e nos juntamos a eles pra ir na policlínica de novo, ajudar caso necessário. Chegando lá, eles estavam sem a carta de apresentação, o que não seria exatamente um problema… Se a mesma moça que me atendeu super rápido não resolvesse implicar com uma assinatura, que ela não me pediu (e que eu também não tinha). Não teve choro nem vela, todo mundo teve que voltar pra trás pra pegar a assinatura (menos eu, claro).

Resolvemos dar uma volta na cidade, um dos meninos queria verificar procedimentos para abrir uma conta no banco, mas logo eles resolveram voltar pra casa por causa da fome. Eu fiquei mais um pouco passeando, aproveitando o dia, vendo lojinhas de cosméticos, hehe… Tem umas coisas interessantes, um mar de água micelar (que tá virando moda entre quem viaja pro exterior) e achei até coletor menstrual na prateleira, o que nunca vi no Brasil (aqui eu vi o mooncup, 21 Libras, ouch!).

No dia seguinte tinha que voltar a Bournemouth pra buscar meu registro na polícia, mas era de tarde, então almocei na casa onde trabalho e fui atrás da mesma deputy que me levou no dia anterior. Fomos conversando no caminho, ela me contando que já tinha ido ao Brasil, o que ela achou, o que fez, etc. Bem legal, mas isso foi há um tempão, muita coisa mudou desde então.

O registro é basicamente uma folha de papelaria preenchida a mão com um contact por cima das informações pessoais, com espaço para carimbos. Toda vez que eu mudar de endereço, tenho que reportar e ganhar mais um carimbo. Traduzindo: algo muito fácil de falsificar! Nem no Japão, onde as pessoas são mais honestas, eu vi algo assim. A moça que me atendeu até me falou pra tomar cuidado pra não perder, porque tem uma máfia que rouba esses certificados para passar para imigrantes ilegais.

Voltei pro camp hill e chamei o Henrique para irmos na cidade postar uma carta e claro que aproveitamos para dar um passeio. Mandar carta não é tão caro e talvez, se o tempo continuar ajudando, eu o faça mais vezes, hehe…

No dia seguinte, tive meu dia de 2h30. Pois é, quando vi na tabela também achei estranho, mas a coordenadora me explicou que era dia de reunião, e só por isso tínhamos essas horas…

A reunião foi longa, mas tranquila, mais sobre a volta as aulas e alguns avisos sobre os alunos, sobre comportamentos e afins. Na semana seguinte é a outra casa do college que tem essa reunião e a gente fica de “plantão” com os alunos deles para que todos participem.

Na sexta seria finalmente a nossa prova de fogo, hora de pôr a mão na massa! Mas… Na noite anterior alguém lembrou que faltava a última parte do nosso treinamento… Argh, bem de manhã!

Lá fomos fazer o tal do Proact-Scip UK, meio que uma aula de defesa pessoal sem que a gente machuque nenhum aluno e sempre mantenha a integridade física de todos. A parte da manhã foi só a teoria, nossa, eu queria morrer de sono na cadeira!

A tarde, teve a parte prática, mas a gente ficou se perguntando até que ponto aquilo ia funcionar na vida real. Provavelmente nada, pelo menos no meu caso. Os alunos mais agressivos são exatamente aqueles que são maiores que eu. Eu no máximo posso sair correndo deles se eles ficarem agressivos, hahaha! 

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