A dona do pedaço. INTJ. Viajadeira. Uspturista Mais velha do que aparento.
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Quero deixar registrado aqui algumas das experiências mais incríveis que eu já vivi.
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O começo da minha semana de trabalho foi muito boa. Sexta cheguei pro trabalho um pouco antes dos alunos voltarem das aulas, foi tranquilo, e no fim fiquei com alguns alunos que dão menos trabalho. Pela prieira vez almocei com o C. (um dos gêmeos) e o almoço na sala menor foi relaxante. Depois do almoço ele foi ajudar a secar a louça e o JD. deu um pouco de trabalho, mas também ajudou depois. ó na hora de ir pra aula que eu achei que ia morrer, porque ele saiu correndo em direção oposta aos demais que eu estava acompanhando, mas por sorte a cozinheira estava voltando e me ajudou.
Essa foi a primeira vez que fiquei no grupo azul, que tem alguns dos alunos mais difíceis (por acaso, de 5 alunos, 4 são da nossa casa!) e eu fiquei com o M., que não parecia estar afim de fazer nada naquele dia. E olha e eu tentei! Nem comer ele estava muito afim. O J. também é dessa turma, e depois de ele ir pra natação, ele voltou perguntando de mim <3. O J. era um com que eu nunca achei que fosse me dar bem, e hoje eu adoro!
Voltei correndo com o M. pra casa porque ele precisava de private time, mas logo troquei pra cuidar do J. Ele tava bonzinho, ficou um tempão cantando sozinho, só ficou mais ansioso quando começou a ficar com fome, claro. E claro que no jantar, comeu com todo o apetite possível. Na hora de dormir tive que esperar no sofá do quarto dele até ele pegar no sono mesmo, acho que ele ainda tá estranhando o quarto novo e o calor. As temperaturas do lado de fora chegam ao dígito único, mas não é o suficiente pra esfriar o quarto as vezes.
Sábado é meu dia longo, mas o pior mesmo desse dia é ter que acordar cedo (8h30 da manhã, acho um abuso!!!). Sempre começo tomando café no trabalho, então invariavelmente tomo café com algum aluno. Pra mim, depois de acordar cedo, a pior parte é ter que interagir logo cedo. Sofro muito!
Sábado também é dia de fazer a feira, então passa rápido. Sempre levamos o N. e algum outro aluno da casa, já tentamos levar o SM. mas ele não gostou muito, então temos levado o R. e levamos o Ma. da escola. Como o tempo não estava bom, a feira estava vazia e fizemos a compra em tempo recorde! Voltamos cedo e também almoçamos cedo, um almoço até que tranquilo. E como trabalho 2h no dia, tenho direito a 1h de break, que eu uso pra voltar pro meu quarto e tirar um cochilo, haha!
Depois do cochilo, fomos fazer compras de supermercado e foi mais puxado, porque o super mercado é mais cheio e maior. Foi rápido também, mas bem cansativo. O que eu notei é que aqui as pessoas não se importam muito com a forma de organizar as compras. Não sei se é por causa dos meus pais, mas eu sei que a gente faz as compras setorizadas pra evitar desperdício de tempo, e também já organiza os produtos, tipo frios, congelados, limpeza comida, etc. Aqui vai tudo junto e misturado, e depois pra organizar no carro e na casa é um saco. E dessa vez, por causa dessa falta de organização, as compras caíram todas no porta-malas e um dos vidros se espatifou (não espatifou mais quando a porta abriu porque eu tirei do caminho por dentro da van). Tanto que a shift leader que foi comigo ficou impressionada com minhas habilidades de organização de compras. E quem me conhece sabe que organização não é exatamente o meu forte…
A noite foi ótima, apesar de ficar com o SM desde a volta. Aprendi a lidar com ele, mas voltei cansadona das compras e não tava muito afim de passar 5h falando e sendo animada. No jantar ele foi pra antiga casa dele (antes de ele ir pro college) e eu tive um break. O jantar foi super relax, a gente deu risada, ouviu Beyoncé, falou bobeira inofensivas, hehe… O J. pediu pra eu sentar perto dele mas me ignorou o jantar todo, haha! Ah, ainda vimos uns fogos que vinham da cidade. Ou tentamos, hehe…
SM voltou, mas logo foi tomar banho, e como tomou a medicação antes de ir jantar, estava pronto pra dormir cedo. Ainda fiquei um tempo do lado de fora do quarto dele, ele fala sozinho as vezes, mas logo sucumbiu ao sono. Ai desci pra relaxar e fiquei rindo da desgraça alheia. É tão mais divertido interagir com os alunos quando não é você que é responsável! E como a maioria dormiu cedo, ficamos nós conversando no escritório XD
A brasileirada claro que queria sair pra comemorar o aniversário da Aline, mas nossa, depois de 12h de trabalho, sem condições! Desci só pra dar um abraço nela e fui pra cama cedo. Ou tão cedo quanto possível, hehe…
No domingo, cheguei em casa pra almoçar e estava tudo tão quieto… Quando encontrei minha coordenadora, ela explicou que só tinha 3 staff pra 5 alunos e eles estavam rebolando pra que nada saísse do controle. Aparentemente ela conseguiu! Depois de comer, subi rapidinho para ajudar.
Passei o dia com o J., que ficou reclamando de dor várias vezes, mas a gente não conseguiu descobrir o que era. Primeiro achamos que era de estomago, mas ninguém com tanta dor consegue comer tanto, haha! Mas ele estava incomodado e não estava num bom dia, então foi difícil passar tanto tempo com ele. E pra piorar, com tanta chuva nesses dias, o trampolim estava encharcado e ele nem conseguiu relaxar lá… Acalmou no jantar porque tinha coisas que ele gosta, mas foi difícil botá-lo pra dormir. Um dos outros staff teve que me ajudar, e no fim ele acabou dormindo antes da gente terminar o turno.
Segunda achei que seria mais tranquilo. Comecei o dia no trabalho relax, no quiet room, que é do lado do quarto do SM., que parecia ok, falando sozinho. Até que ele começou a se esgoelar de tanto chorar. Era um choro muito sentido! Como o outro voluntário estava sozinho com 3 alunos quietinhos, fui ver o que era. Sério, parecia que tinham matado a mãe do menino. Até o Junior subiu pra ver o que era! Quando entramos no quarto e perguntamos o que era, nem o menino sabia dizer porque estava tão chateado! Mas ainda bem que já era quase hora de voltar pra aula e ele se reanimou rapidinho. Quando ele saiu de casa, nem parecia que tinha tido um colapso, haha! Eu fiquei de levar 3 alunos pro grupo amarelo, mas o J* resolveu sair correndo pro lado oposto e quase me matou do coração! Por sorte a cozinheira estava voltando de uma das salas e eu pedi pra ela cuidar dele enquanto levava os outros 2 pra aula. Na volta, o shift leader conseguiu levá-lo pra onde precisava e eu fui pro grupo laranja, que é o que eu mais gosto, hehe…
Nesse dia, tivemos aula de artes, com música e um pouco de teatrinho no salão de apresentações. É uma aula bem relax, junto com a turma do azul. Na turma do azul só tem 2 alunos que param quietos, haha! Foi engraçado, porque o M., o J. e o R. ficaram correndo a maior parte do tempo! Mas foi legal porque eu tava com o SW, que estava num humor super bom e estava muito bonzinho!
Na volta da aula, fiquei com o M. que estava meio inquieto. Teve seu private time e não parava de levantar da cadeira depois disso, indo no banheiro toda a hora! E também estávamos com poucas pessoas trabalhando, então o jantar foi um pouco mais desafiador… Mas por incrível que pareça, deu tudo certo! Depois das tarefas da casa, supervisionei o banho do M. e acho que isso o fez acalmar um pouco. Deu pra sentar na sala de estar e descansar, só com o ocasional comando pro M. não sair correndo pela casa, haha!
Depois do trabalho, saímos com o pessoal da fazenda e fomos pro karaoke em Bournemouth de novo. Tava menos vazio, e a drag queen que comanda a noite estava muito engraçada! Ela até perdeu a peruca em uma performance! De lá, fomos pra famosa co-worker room da fazenda.. Que estava vazia! Aparentemente a noite não tava tão boa assim e ninguém quis nos esperar. Mas ficamos lá mesmo assim, conversando, até bater a fome e irmos pra cozinha da casa do Gui comer croissant =P
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O fim das férias foi bem tranquilo. Depois de voltar de Londres, ficamos mais quietos em casa. Fui algumas vezes daruma volta até Ringwood e aproveitar que ainda não tá tão frio a ponto de dar preguiça de andar até a cidade. É uma caminhada de uns 20 minutos, mas que na chuva já não é muito legal, imagina no frio de verdade (porque, né, frio faz todo dia desde que eu cheguei, hahaha)?
Aproveitei um dos dias e fui até Bournemouth dar uma volta decente pela cidade, porque ainda não conhecia. É bem legal, porque é uma cidade com mais vida e mais coisas diferentes. No fim, encontramos o Gui da fazenda e fomos tomar um lanche na “livraria”. Na verdade a decoração do café tem estantes e alguns livros, mas só depois eu entendi o nome: ele fica no prédio da biblioteca (tem uma placa grande do lado de fora que só vi depois). O lugar lembra algo que eu pudesse encontrar em Pinheiros ou na Vila Madalena. Sinto saudades dessas coisas, ter lugar diferente pra comer com os amigos de vez em sempre =P 
Os alunos retornaram no domingo, mas na minha casa só 4 dos 8 residentes chegaram. 1 deles estava vindo de longe e só chegou de madruga e outros 3 só vem pra semana. Cheguei pro trabalho no meu horário normal e ainda fiquei umas 2h sem nada pra fazer. Foi um dia bem relax, um bom retorno! Passei a noite com o J., que mudou de quarto, mas foi tranquilo. Ele comeu com o apetite de sempre (ou seja, muito!), foi bonzinho no banho e só deu trabalho na hora de dormir. Toda hora que eu achava que tinha conseguido fazer ele dormir, ele levantava. Acho que estranhou a mudança, fora que o quarto novo é um forno de quente!
Na segunda, cheguei na hora de leva-lo para a aula e ele deu um baile, demorou pra levantar da cama (depois do almoço; acho que estava cansado de não ter dormido direito de noite) e não queria entrar na sala. Deixei ele na sala dele e fui pra outra sala, onde eu geralmente encontro o Henrique T. Fiquei com o S., que voltou a tomar medicação pra ansiedade e está mais calmo e foi um dia muito bom. Lemos um texto e depois fizemos atividades com música, o que foi ótimo pro C. (um dos gêmeos) porque ele amou todo aquele ritmo. O S. não gostou muito de dançar (acho que tem vergonha), mas se mostrou um fã de Queen, cantando “Don’t stop me now” super bem! A noite fomos com alguns alunos fazer compras e foi divertido porque o SM. tava muito engraçado! Rimos muito, acho que ele está se encontrando na casa, está mais ele, mais relaxado. E ele nos surpreendeu lembrando do aniversário de um support worker que nem estava na casa no dia! Eu não sei como ou porque eles guardam essas informações, nem a gente lembra! Na volta, jantamos todos na cozinha, foi divertido e me fez realmente gostar de trabalhar numa segunda <3
A noite, o pessoal da fazenda nos chamou pra sair, pra ir na tal balada da igreja. Uma antiga igreja em Bournemouth foi transformada em balada, e até as 23h, a entrada era 2 Libras. Depois disso, pulava pra 5 Libras. Pobres voluntários que somos, corremos para nos arrumar e ir, mas não deu tempo. 23h01 e o host na porta não nos deixou entrar pelo preço promocional. Como ninguém queria pagar 5 Libras pra entrar, fomos procurar outro lugar. Aparentemente, segunda é dia de karaoke, e nos 2 pubs que passamos, era o que estava tendo. Paramos em um que estava menos vazio e tinha uma drag com uma voz poderosa. Tinha umas pessoas que cantavam mal pra caramba, mas tinha umas que deveriam estar no X-Factor! Uma menina pediu uma música do Destiny’s Child e arrasou incorporando a Beyonce! De lá, esticamos pro outro bar, e algumas das pessoas que estavam no primeiro bar resolveram esticar lá também. Não ficamos muito no segundo bar e voltamos pra casa.
Na terça, não fizemos nada. Acordamos tarde e quando fui almoçar, encontrei o outro voluntário da minha casa, o filipino. Vi que a a nossa coordenadora pediu pra falar com ele, e quando encontrei com ele de volta, perguntei de curiosidade o que ela queria, imaginando que não era nada grave, como alguma troca de horário. Ai ele começou a contar que mandaram um e-mail pra nossa coordenadora, dizendo que ele tinha acordado os alunos fazendo barulho na cozinha em plena madrugada! Na hora eu pesquei que na verdade não era ele, era eu e o Henrique T. voltando de Bournemouth na noite anterior. Pedi desculpas e disse que ia esclarecer essa história. Mas a medida que fui pensando no assunto, comecei a achar tudo muito errado. Éramos 2 pessoas na cozinha, e não estávamos cozinhando. A gente mal estava conversando, exatamente pra não fazer barulho. Encontramos uma wake in (pessoa que fica acordada na casa a noite) na cozinha quando chegamos, ela estava no rádio tentando falar com a minha casa, ela viu nós 2 e viu que fizemos umas torradas super rápido e subimos. A noite, fui jantar na minha casa e perguntei sobre o e-mail pro Junior. Ele disse que a nossa coordenadora sabia que tinha sido um exagero e que acreditou quando o Brian disse que tinha ido dormir meia noite, muito antes da gente chegar.
Depois do jantar ele voltou comigo pra casa e ficamos conversando, até o Henrique voltar do jantar dele também. Ficamos discutindo esse assunto, o que nos levou a conversar sobre outras coisas de trabalho. É legal porque o Junior está aqui há bastante tempo e conforme ele conta as coisas do passado, a gente compreende melhor o presente.
Na quarta consegui falar com o coordenador de onde eu moro para explicar o que aconteceu, embora o Henrique tivesse falado com ele também. Pedi desculpas, mas disse que realmente a gente faz o possível pra não fazer barulho e é injusto quando alguém nos acusa sem razão. Disse que achei toda a história muito suspeita, porque a wake in me viu com o Henrique. E que ele é o oposto do outro voluntário. Um é baixo, moreno e sem barba. O Henrique é alto, branco e com barba. E até as meninas, somos todas muito diferentes! Ele se desculpou e disse que deu uma bronca na pessoa por ter passado a informação errada, e por não ter investigado melhor a história. Aproveitei e também reclamei do aquecimento, que misteriosamente parou de funcionar quando os alunos voltaram pras aulas.
A tarde, fomos até Ringwood dar uma volta. O problema é que o horário foi acertado no fim de semana que estávamos em Londres e agora está escurecendo mais cedo ainda. 17h já está tudo um breu! A noite, que agora parece infindável, foi de comer e ficar no quarto. Até passo mais tempo na minha casa de trabalho nas refeições pra ver se essa sensação de fim do mundo passa…
Na quinta foi dia de reunião na casa do Henrique, então eu fui pra aula com o grupo amarelo, que teve aula no Eurythim. Foi um dia muito bom, apesar de toda a chuva. Até o H., um aluno autista da outra casa que nunca participa das atividades, participou nessa aula. DUAS VEZES! E ele estava bem risonho. Os gêmeos também estavam de muito bom humor. O da minha casa estava se divertindo sozinho na hora do almoço e o da outra casa super interagiu com a support worker que estava com ele na aula.
Depois da aula não voltamos direto pra casa pois a escola organizou um show de fogos de artifícios para os alunos. Não foi espetáculo tipo Disney, claro, e a chuva atrapalhou alguns fogos de subirem, mas foi legal porque estava todo mundo no Village Green assistindo e os alunos realmente gostaram. Meu horário acabava as 17h, mas fiquei um pouco mais pelos fogos e pra levar os alunos de volta pra casa.
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Eu mal voltei da viagem pra Londres e...
O camp hill é uma escola, então chegou o fim do bimestre. Mas também é residência estudantil, e os alunos ganharam 2 semanas de folga. Uma coisa meio semanado saco cheio, pra delimitar o tempo. Com isso, nós voluntários, também ganhamos 2 semanas de folga XD
Também quer dizer que 2 meses já se passaram desde que eu cheguei aqui no interior da Inglaterra. 2 meses de camp hill. Pra quem me conhece, sabe que eu não me sinto muito confortável em nenhum trabalho novo antes dos 3 meses. É sempre muita informação nova pra absorver, muita gente nova pra conhecer e sempre aquela insegurança de “eu tô fazendo certo?”
Ainda sinto o stress de trabalhar com tanta gente nova, na supervisão de tantos chefes (são 4 shift leaders a quem eu tenho que responder durante meus turnos), com tantos alunos, mas, apesar do trabalho ser totalmente diferente de tudo aquilo que eu já fiz na vida, o trabalho é o que menos me preocupa. Não que eu não ligue para o que eu faça, mas a relação com o trabalho é outra. Então vou contar com um pouco mais de detalhes o que é que faço aqui.
Basicamente, a vida é separada entre o trabalho em casa e o trabalho na escola. Durante a semana, temos 8 alunos morando na casa, e mais utros 8 que só passam o dia (tecnicamente eles só fazem a refeição na nossa casa).
O trabalho em casa é cuidar das necessidades mais básicas dos alunos. É dar suporte desde ajudar a fazer as refeições da melhor maneira (para alguns é usar os talheres direito, para outros é conseguir ficar a refeição toda na sala, comer todos os tipos de alimentos, etc), ajudar nas tarefas da casa (tirar a mesa, limpar a sala de jantar, lavar pratos, enxugar pratos, colocar a mesa, etc), achar entretenimento nas horas livres (caminhar, pular no trampolim, saídas da escola, ouvir música), até as coisas mais “pesadas” como usar o banheiro e tomar banho.
O trabalho da casa é o que estou mais acostumada devido ao meu horário que geralmente é da tarde pra noite e no fim de semana. O primeiro banho a gente nunca esquece, mas já me acostumei a isso, mesmo todos os residentes serem meninos. Aprendi que é mais fácil fazer na banheira, no chuveiro faz mais bagunça, mas é passável. Nenhum tentou me afogar nem nada parecido e no geral todos se comportam e deixam a gente ajuda-los. Ninguém ainda fez necessidades na banheira!!! Alguns precisam de toda ajuda para se vestir, mas eles também se comportam nessa hora. E nem ligam se você escolher as coisas pra eles. Os que se importam conseguem se virar sozinhos. Limpar cocô eu fiz 1 vez com ajuda, não foi a melhor coisa que já fiz na vida, mas não morri e se tiver que fazer de novo, tudo bem. O resto então é fichinha. As vezes a gente dá uns deslizes na hora das refeições, os alunos “passam a perna” nos nossos momentos mais desatentos, mas a gente tenta sempre fazê-los se coportarem da melhor maneira a mesa. As saídas até agora foram bem sucedidas. A maioria é para dar uma caminhda na praia, as vezes com direito a 1 drink ou um lanche no final, e eles sempre se comportam. De sábado geralmente levamos 1 ou 2 alunos para fazer feira e tem sido só sucesso também, pelo menos para eles entrarem em contato com aquilo que vai na mesa (temos cozinheira durante a semana) e também sairem um pouco de casa.
No trabalho na escola a gente dá mais suporte pedagógico. Na verdade, fazemos as atividades com eles. Já saimos pelo campus atrás de folhas e gravetos para fazer uma obra de arte naturalista, já fomos bater uma bola depois de armar um gol, mas também ficamos em classe pintando cartolina para fazer algum artesanato, tipo construir chocalhos ou caçadores de sonho. Nas aulas mais básicas, ajudei a colocar ordem numérica (temos que perguntar pro aluno a ordem dos números) e na mais avançada levamos os aunos para fazer uma pesquisa de preços de uma lista pequena de compras para a sala de aula. E todos tem alguma terapia durante a semana, as dos dias que eu fico em aula sempre são de música (a gente vai pra um salão mais calmo, com música, e faz umas coreografias enquanto a professora guia com algumas palavras sobre espiritualização).
Eu acho mais difícil ficar na escola porque nem sempre eu sei como ajudar, fico meio perdida, as vezes eu me sinto meio incapaz. As atividades são simples, mas ficaram muito distantes na minha memória. Fora o medo de errar e ensinar algo de uma forma que não condiz com a missão da escola.
Mas depois de 1 mês e meio com os alunos, já deu pra pegar alguns macetes até sobre os alunos que só passam o dia. Os que são mais agressivos são alguns residentes, mas nada super amedontrador. É que ninguém curte levar um tapa por nada, né? E eles não tem noção de força, as vezes eles não querem machucar, mas não sabem dosar o comportamento. E mesmo com esses agressivos, eu não me importo de trabalhar. O J. tem “fama” de agressivo, mas é um dos que mis gosto. Ele passa boa parte do tempo cantando (errado – a mesma música!) ou fazendo algum som e é muito engraçado! Ele ama o trampolim e pode passar 1 hora lá fácil. Também gosta de ver videos no tablet e as vezes pede pra gente procurar imagens na internet. E tem bom gosto musical! Verdade que as vezes alterna de Fun Song Factory a Oasis, mas tá valendo =P O M. não vocaiza e passa um tempão assobiando sentado, mas é bom que com ele não tem conversa, literalmente, HAHA! É que tem o SM. também, que não cala a boca,ntão é um bom contra ponto =P Dos que passam o dia, não posso negar minha preferência pelo C., um dos gemeos. O irmão está na outra casa e vai pra outra sala, mas os 2 são os mais fofos! Eles gostam de ritmo (amam a terapia de música!) e de massinha. O da outra casa é um pouco mais independente, ele pede pra ir no banheiro, pede tempo de descanso, essas coisas, já o C. tem que ser lembrado do banheiro (mas está melhorando) e é um pouco mais tímido.
Trabalhar com gente que tem tanta limitação te da outra perspectiva sobre a vida no geral. No começo parece meio frustrante pois não temos a mesma resposta que estamos acostumados com outras pessoas “normais”, mas aprendemos que cada um reage a sua maneira e não quer dizer que é melhor ou pior. A primeira vez que cada um dos gemeos sorriu pra mim foi lindo, até hoje adoro quando consigo fazê-los sorrirem pois aprendi que é um sinal de aprovação, de que está dando certo! Ou então quando o S. (que tem down e autismo) responde aos seus comandos ou se diverte na sua companhia. Ou quando o J. pede um abraço (ele me deu 2 abraços de supresa que quase me mataram do coração, ai disse que ele tem que pedir e mais tarde ele fez o que ensinei na frente de outra pessoa, foi tão legal!). Ou quando o SM. chega e fala com a voz mansinha “I missed you!”
Não vou mentir e dizer que preferia estar trabalhando, ócio é meu estilo de vida, essas 2 semaninhas são providenciais, mas eu já acho que no fim, vai dar aquela saudadinha gostosa até dos perrengues que vão surgir no meio do caminho.
Enquanto isso, bora curtir a folga prolongada!
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Finalmente, fui pra aula!
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Cada turma tem uma sala diferente, com aulas diferentes, pensadas para o desenvolvimento e necessidades específicas do grupo. Cada sala é uma sala, e a gente que dá suporte que tem que se adaptar. Mas com o tempo a gente vai entendendo como as coisas funcionam, e até acha uns macetes pra se infiltrar em aulas diferentes! Minha curiosidade sobre as aulas se deu pelo fato de que ficando dentro de casa eu não sentia que estava desenvolvendo nada. Pelo menos não de uma maneira linear, focada e tangível. E também porque eu queria ver o que tanto tinha nessas aulas! Eu nunca tive contato com gente com necessidades especiais – exceto uma colega de classe no pré, que tinha down, mas como criança, pra mim não fazia diferença na época – e eu não sabia exatamente o que teria nessas aulas.
Na quinta em que a reunião da casa foi da outra casa (não na minha) eu finalmente ia ter oportunidade de descobrir, já que ia ter que ir pra sala acompanhar os alunos da outra casa (já que o staff estaria em reunião, claro).
Fui pro grupo cinza, do menino com down e autismo, e ele já estava lá. Na verdade, ele nem saiu da sala para o almoço, haha!
A aula funciona assim: a gente leva os alunos para as salas, mas não necessariamente fica naquela sala. E quando fica, não necessariamente fica com alunos da nossa casa. É a professora que determina quem ajuda quem.
No começo dessa aula, ia ficar com uma menina autista muito da esperta. Mas ela não estava num dia bom, então me colocaram com outra menina, que também tem autismo e um sério problema na coluna (ela parece curvada para trás quando senta, sem nenhuma flexibilidade).
No começo da aula, os alunos não fazem muita coisa, então a menina ficou brincando com uma areia colorida, feita para escola. Ela parecia muito feliz, mas não deu a menor bola pra mim.
Na hora da atividade, a professora acabou me trocando de novo e fui ficar com o menino da minha casa. A atividade era ordenar atividades numeradas. No fim, era colocar ordem nos números, o que tinha escrito na tira acabou irrelevante. Meu papel foi basicamente perguntar o que vinha primeiro: 1 ou 2? 3 ou 4? E assim por diante.
A maioria das atividades são bem básicas, e quem lembra da pré escola deve lembrar dessas atividades manuais e simples. Elas desenvolvem coordenação motora, consciência de ordem cronológica, continuidade, etc. São a base do que a gente usa pra entender a vida no geral. A gente desenvolve essas capacidades cedo na vida para poder prosseguir com o resto da nossa educação. Agora imagine que a cabeça desses alunos não funcione como a nossa. O aprendizado é lento, mas tem que ser consistente e constante.
Depois ainda tivemos que colar o resultado, ainda que irregular, num sulfite. E nessa hora veio a dúvida: no fim, pra quem é essa atividade? Parece que fazemos tanto e alguns alunos não estão nem de mente presente no recinto… Eu ainda tentei fazer o aluno passar a cola de bastão no papel pra colar, mas ele não estava muito interessado nisso.
Depois, mostrei um livro de bichinhos para ele, e ele escolheu ver vídeos no iPad antes de voltar pra casa. O que não significa que ele voltou pra casa no horário, haha! Umas 5 pessoas diferentes tentaram, mas até o horário que eu fui embora (umas 17h), ninguém conseguiu movê-lo!
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A ansiedade para conhecer as aulas
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Meus horários no camp hill eram bem estranhos, quando para pensar nisso. Mas eu entendo que eles usem os voluntários para cobrir os momentos com staff mais escasso, que é o fim de semana. Com isso, porém, demorou para eu pegar um dia "normal" dos alunos. Eu estava curiosa para ver como eram as aulas deles. Então quando a priemira segunda-feira de aulas chegou, eu estava bem animada! É uma sensação incrível esperar pra segunda chegar. Achava isso impossível com um trabalho, mas esse dia chegou! Eu finalmente levaria um aluno pra aula e veria como é essa coisa de “college” para alunos com necessidades especiais.
Como contei, eu almoço com os suprimentos da casa onde eu trabalho, e eu prefiro usar a cozinha de lá, que é bem maior e mais moderna, porém tem o pequeno empecilho de que obviamente, toda cozinha aqui no camp hill é usada para os alunos nas refeições. Mas eu dou um jeito, chego no final da refeição e, ou como o que eles estão comendo, ou faço alguma outra coisa rápida pra mim (já que geralmente trabalho a tarde e a noite).
Na minha primeira segunda de aula, me colocaram pra trabalhar com um menino que dorme só durante a semana na casa e tem síndrome de down, autismo e epilepsia (é, e tem gente que ainda acha que tem muito problema na vida…), mais pra “treinar” com a outra menina que geralmente fica com ele do que pra eu mesma fazer alguma coisa.
Deu o horário, todo mundo saiu e… O menino empacou! Não levantava do sofá por nada! Sério, é difícil, a rotina é sempre a mesma, mas sei lá, cada cabeça é uma sentença mesmo. Nesse dia ele simplesmente resolveu que não ia levantar do sofá e não levantou! Tentamos de tudo, mas nada adiantou. Música, atividade, comida… Ele não se animou com nada! E pior que ficar sem fazer nada cansa, né, o tempo não passava!!
Os outros alunos voltaram, tomaram lanche da tarde, fizeram o maior barulho… E nada moveu o menino do lugar. A outra staff foi embora, e nada. Ai veio o jantar… E nada! QUATRO HORAS sem levantar nem pra ir no banheiro! E o desespero que bate nessas horas?
Ai resolvi pular a agenda do dia e perguntar se ele queria um banho, sei lá, né… E não é que foi o que fez ele levantar do sofá??? Parecia palavra mágica! Ele subiu, entrou no banho, deixou eu dar banho nele, lavar o cabelo… Vai entender!
Depois o Junior ainda conseguiu fazer ele comer, pra poder dar os remédios, que são bem fortes, e apesar do menino não ter levantado a bunda da cadeira o dia todo… Dormiu como um anjo!!!
Mas não foi dessa vez ainda que eu fui conhecer o college =(
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